Deixei as palavras num canto, a escrita noutro, joguei a toalha no chão, os sonhos deixei-os na gaveta, a energia foi pela janela, as sementes não foram regadas, a terra ficou seca.
“Seja la como for, tenha fé, porque até no lixão nasce flor“ [MC Racionais].
Rego a terra, aguardo, mas a terra precisa também do seu tempo… de se molhar, de sentir a semente, precisa do espaço, e de regenerar as suas raízes… rego e aguardo. Mas a terra ainda precisa de sol, de respirar e depois de ser regada novamente. A terra precisa, não menos importante, de mimo, de atenção, do calor com essa brisa agradável de cheiro de natureza e de nada tão bom.
Eu também preciso da terra… de a sentir escorrer por entre os meus dedos, de sentir a sua textura, de perceber-lhe as modas! Se bem que a natureza é de poucos caprichos… com um pouco de água pode formar-se o mais lindo oásis.
Será assim com a nossa alma? Se a alimentarmos, com o que realmente precisa, poderá se parecer com esses oasis? Na dúvida, rego. Aguardo. Absorvo o sol, a brisa quente e o amor. Deixo o tempo passar, num ritmo que nao acelerá ao passo da minha vontade… e assim, cresco – quando a alma coincidir com o tempo da Terra.
O número assusta, mas o detalhe mais importante está no que vinha acontecendo antes dela…
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