Marcel Camargo

O que você sabe porque ouviu alguém falar, você ainda não sabe

Uma das características mais marcantes das redes sociais é a exposição desmedida. As notícias voam e podem chegar a milhares de computadores em questão de segundos. Infelizmente, a rapidez da travessia dessas notícias é bem mais rápida do que a comprovação de sua veracidade. E isso pode acabar com a vida das pessoas.

É muito fácil e quase que automático compartilhar publicações pela internet afora. Qualquer pessoa está munida de um celular com câmera e gravador, ou seja, flagrantes cotidianos tornaram-se comuns e muitos comportamentos que conseguiam permanecer no anonimato hoje podem viralizar instantaneamente. Ninguém está livre de ser filmado, gravado e de se tornar a bola da vez.

O ser humano tem, no geral, uma curiosidade ímpar por vidas alheias, sendo a fofoca uma prática comum nas rodas de conversa – isso desde sempre. Porém, se antigamente as línguas venenosas possuíam um alcance praticamente seleto, circunscrito ao grupo de conhecidos, hoje uma fofoca pode facilmente se tornar manchete de algum artigo em alguma página virtual. Daí a cair nas redes sociais é um pulinho. O poder de alcance do veneno social, portanto, multiplicou-se à enésima potência.

Lógico que comportamentos danosos e antiéticos devem ser repreendidos e compartilhados, como forma de alerta para que aquilo não se repita, porém, o que assusta é que, às vezes, poderemos estar julgando e condenando alguém injustamente, sem lhe dar o direito de resposta e de defesa. As pessoas têm o direito de contar a sua versão também, pois existe muita gente ruim, que apenas que ferrar o outro, sem pesar consequência alguma.

Como dizem, aquilo que a gente sabe porque supôs ou porque alguém falou a gente não sabe. É preciso ter certeza das coisas e não ficar espalhando-as por aí de maneira inconsequente, pois trata-se de histórias de vidas que carregam outras vidas consigo. Quando alguém se machuca, quem o ama se machuca junto. No mais, aquilo que for verdade a vida sempre dará um jeito de providenciar a sua devida colheita. Disso ninguém há de fugir.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Higiene no equipamento desportivo: como lavar e eliminar odores dos sacos e mochilas de padel

Um saco de padel utilizado com regularidade acumula suor, humidade e resíduos de equipamento húmido…

1 dia ago

Esta resiliente atriz marcou os anos 2000, sumiu dos holofotes após tragédia pessoal e hoje quase ninguém reconhece

Nos anos 2000, ela se tornou conhecida do público britânico, principalmente por causa de sua…

2 dias ago

O ano era 1980, e essa música não saía do rádio… Marcou uma geração! Será que você ainda reconhece?

A batida começa e a memória entrega tudo… Essa música virou febre em 1980. Será…

2 dias ago

Há quase 50 anos esta música estourou nas rádios mas hoje quase ninguém lembra. Você reconhece?

Um hino que soa como uma porta de entrada para os anos 80: acelerada, sensual…

2 dias ago

Todos olham para a família, mas é a empregada ao fundo que guarda a grande história

Na foto de 1961, ela ficou atrás de todos — mas sua vida não ficou…

2 dias ago

Meu pai casou com minha tia 8 dias após a morte da mãe, mas o que descobri no altar deles mudou tudo…

No casamento do meu pai com minha tia, o filho dela me puxou de lado…

2 dias ago