Sentimentos nos tornam mais felizes, mais evoluídos, mais fortes para lidar com o mundo lá fora e com as pessoas ali do lado. Sentimos o mundo e nos sentimos em relação a ele, ordenando a forma como nos envolvemos com as pessoas, com os acontecimentos, digerindo dissabores e guardando o que é bom dentro de nós. Quanto menos nos dispusermos a sentir, menos conseguiremos aproveitar o viver.
Entretanto, sentimentos também podem nos trair, principalmente quando vêm com muita intensidade. Gostar demais ou odiar demais, ambos nos embaralham a percepção lúcida dos acontecimentos que envolvem aquele que é objeto de nosso afeto ou de nossa ira. Parece haver uma luta constante dentro da gente, entre razão e emoção, entre o que o cérebro registra e o que o coração sente. Difícil é lidar com isso tudo e tomar a decisão mais acertada.
As pessoas com quem não simpatizamos, não importa a razão, nunca conseguirão receber de nós um olhar muito condescendente. Sempre estaremos com um pé atrás ao lidarmos com elas e será difícil nos colocarmos em seu lugar ou entendermos os seus atos e palavras sem um filtro de precauções. Tentaremos evitar essas pessoas sempre que possível e, por isso, dificilmente mudaremos de opinião em relação a elas.
Por outro lado, quando gostamos demais de alguém, a gente recebe de braços abertos tudo o que vem dessa pessoa. Nosso olhar fica mais bondoso, a empatia surge forte e as dores dela passam a ser nossas. A capacidade de entender e de perdoar aumenta à enésima potência em relação às pessoas de quem gostamos muito, bem como o nosso nível de tolerância. Não hesitamos em dar outras chances, em tentar de novo, em acreditar na mudança do outro.
E isso pode se tornar um problema em nossas vidas, uma vez que os sentimentos de afeto, quando em demasia, têm a capacidade de nos cegar frente ao que é ruim, ao que pode abalar esse carinho todo. E a gente não quer que esse sentimento bom vá embora, porque faz um bem danado gostar de alguém por inteiro. A gente reluta em aceitar que não era aquilo tudo, que não havia reciprocidade, que era enganação. Dói.
É comum enxergarmos, nas pessoas de quem gostamos demais, qualidades que criamos em nossas cabeças, supervalorizando o que é comum, o que se trata tão somente de comportamento natural. O que importa, diante disso tudo, é não nos acostumarmos com o que faz mal, evitando aceitar os erros lesivos das pessoas que amamos. O afeto é um sentimento especial demais para ser usado com quem não merece ou com quem desconhece o que é reciprocidade. Afeto sem volta é perda de tempo. E fim.
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Imagem de Alexas_Fotos por Pixabay
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