Categories: Marcel Camargo

O importante não é o que você junta, mas o que você espalha

O mundo anda meio egoísta, muito provavelmente por conta dessa avidez descontrolada por consumir, pela supervalorização das aparências, tornando-nos afoitos por conseguir ter mais dinheiro, ser mais belo, comprar mais produtos, conhecer gente mais popular. Muitos acabam, por isso, perdendo-se de si mesmos, de sua essência humana e gregária, que necessita da troca afetiva para sobreviver com mais tranquilidade e paz de espírito.

Infelizmente, quanto mais tentamos preencher nossas vidas com posses e bens materiais, mais vazios nos tornamos por dentro, uma vez que, assim, estamos negligenciando nosso sentir, nosso pulsar íntimo. Aquilo que verdadeiramente somos, por ser imaterial, não se contenta com o que fica lá fora, ou seja, nossos traços de humanidade independem de tudo aquilo que compramos.

Os sonhos de vida que alimentam a nossa jornada rumo à felicidade, caso se pautem tão somente por conquistas materiais, irão se tornar cada vez mais voláteis, incapazes de corresponder aos nossos anseios, incapazes de nos preencher afetivamente. Precisamos compartilhar sentimentos, pois é assim que eles se multiplicam dentro de nós e na vida daqueles que estão na lida conosco.

Na verdade, o que importa é o amor que damos e recebemos dos pais, dos filhos, dos irmãos, do parceiro, dos amigos, enfim, das pessoas que nos dão as mãos com verdade e reciprocidade. Aquilo que fazemos é que alimentará as necessidades de nossa alma, tornando-nos alguém que se vale da ética e da partilha para dignificar a jornada de vida, de si e de quem faz parte desse caminhar.

Ninguém se lembrará das roupas que usávamos ou do carro que dirigíamos, mas todos carregarão dentro de si tudo o que fizemos em seu favor. É preciso, pois, criar lembranças especiais do que fomos junto a quem amamos, pois é isso que nos eternizará, é isso que nos manterá vivos dentro de cada coração que pudemos tocar com nossa bondade e compreensão. A vida carrega tudo para o esquecimento, menos aquilo que foi feito com amor.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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