Marcel Camargo

Nunca se esqueça disto: você não achou o seu coração no lixo!

Se não conseguirmos estabelecer limites e emitir nossa opinião, acabaremos sufocados pelas imposições de quem se acha dono da verdade. Se não valorizarmos o que somos, nossos sonhos, nossas verdades, aceitaremos qualquer coisa para amizade, para companhia, para amar.

Infelizmente, muitos de nós não nos sentimos confortáveis, quando alguém demonstra estar chateado conosco ou não ter gostado do que dissemos ou da forma como agimos. E, mesmo que estejamos certos, ainda que aquela fosse a única atitude a ser tomada, a única palavra a ser dita, acabamos nos sentindo mal pelo que falamos ou pelo que fizemos.

Isso é um sinal claro de que nossa autoestima está fragilizada. Como é que podemos nos sentir mal por sermos verdadeiros, por termos dito o que nosso coração mandou, por termos agido de acordo com nossa essência? Quem agiu errado, quem fez o que não devia, quem é desagradável, esses é que devem se sentir desconfortáveis, pois são eles que iniciam essa coisa toda. Se não fomos nós os causadores dos contratempos, fiquemos em paz.

E isso deve pautar nossas vidas em todos os setores: no trabalho, em casa, na rua, no amor, na vida. Se não conseguirmos estabelecer limites e emitir nossa opinião, acabaremos sufocados pelas imposições de quem se acha dono da verdade. Se não valorizarmos o que somos, nossos sonhos, nossas verdades, aceitaremos qualquer coisa para amizade, para companhia, para amar. Dessa forma, sempre estaremos caminhando com passos pesados, com a sensação de que falta algo, alguém, alguma coisa.

Se quisermos agradar a todos, teremos que sempre nos sujeitar a acatar as opiniões alheias, em detrimento de nossas verdades, tornando-nos reféns do que os outros esperam que sejamos, que façamos, que digamos. Com isso, anularemos, a pouco e pouco, tudo o que é nosso, tudo o que temos dentro de nós, colhendo sorrisos alheios e matando nossos sonhos mais especiais. Viveremos, então, uma vida de mentira rodeada por falsidade.

Não podemos nos permitir sufocar as nossas verdades, por medo do enfrentamento do mundo lá fora. Não podemos maltratar o nosso coração, a ponto de torná-lo um mero fantoche nas mãos de quem não reconhece o nosso valor. Para que sejamos valorizados e respeitados, teremos que aprender a lidar com a contrariedade de algumas pessoas. Teremos que saber lidar com o fato de que nunca seremos unanimidade. É somente assim que nosso coração se fortalecerá, para repousar suas verdades junto a gente sincera, com a reciprocidade que ele merece.

Imagem de capa: taramara78/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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