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Esperança, por definição, é a confiança de que algo bom acontecerá. É o sentimento da possibilidade de realização, servindo como uma alavanca motivacional positiva.
Tenho dentro de mim uma esperança inesgotável. Não sei como ela surgiu nem o motivo. Mas sei (e sinto) que ela bate forte. Quando tudo parece desabar, ela surge, afastando o desespero e trazendo lucidez.
O ano de 2010, para mim, teve apenas 100 dias. Foram quase três meses de um freela e um dia de enterro. Quando o conheci, no início desse período, era uma tarde de outono. O sol apareceu tímido e deu espaço a um vento cortante. Sentia um frio desagradável.
O escritório em que trabalhava estava localizado em Moema. Tinha uma arquitetura antiga, com sinteco brilhoso no chão e inúmeras obras de arte na parede. Eu estava na última sala, sozinha, quando ele entrou. Acho que nos vimos diversas vezes, mas nenhuma que criasse algum laço importante. Naquele dia, a vida nos colocou frente a frente.
Cumprimentou-me. Perguntou o que eu fazia ali. Disse que iria escrever textos e que permaneceria ali por três meses. Ele respondeu de forma seca: pouco tempo. Retruquei de forma irônica: Pouco? Não! O suficiente. Ele riu. Argumentei dizendo que, em três meses, muita coisa poderia acontecer. E realmente aconteceu.
A partir daquela data, o visitante passou a ser presença constante na minha sala. Às vezes, só entrava com os olhos. Parava na porta e me observava. Outras, sentava na cadeira próxima da janela e admirava o céu. Nunca descobri o que ele pensava. Eu achava que meu cabelo estava bagunçado ou muito maquiada e que ria da cena mentalmente. Bobagem. O cavalheiro em questão tinha a alma grande demais para se perder em detalhes.
Num fim de expediente, de forma atrevida, convidou-me para um café. Fazia um pôr do sol lindo de outono. Aceitei. Tomei aquela bebida quente como se fosse a primeira e a última vez que iria degustá-la. Observou-me calado. Não pegou xícara alguma. Estranhei.
Após uma breve pausa, ele disse (sem cerimônias) que tinha câncer no esôfago. Não sentia nem o gosto e nem o cheiro do café, mas, ao me observar, lembrou-se de como era bom tomá-lo. E foi ali que travamos uma grande amizade.
Conversamos (diariamente) por meses.
Perguntou-me sobre Deus, sobre a vida, sobre a morte e sobre amores. Contou-me (secretamente) que havia perdido quase todos os cinco sentidos. Não sentia cheiro, nem gosto de nada. Ouvia pouco e enxergava menos ainda. Só não havia perdido a capacidade de amar (amava a família, os amigos, a vida, de forma genuína). E também a capacidade de acreditar que algo bom (sempre) aconteceria.
Meu amigo definiu essa crença como esperança. E nesse ímpeto, questionou-me se ficaria curado. Assustei. Logo a mim? Que ousadia. Não sou Deus. Qual a certeza que temos da vida? Hesitei. Tive medo de responder. Medo de ser traída por ela (a tão sonhada esperança).
Ele olhou bem nos meus olhos e percebeu que eu iria chorar. Dei um leve sorriso e (corajosamente) respondi que sim, ficaria curado. Tudo iria depende dele. E retruquei (incisivamente) querendo saber o que ele desejava para si. Não respondeu.
Na manhã seguinte, meu último dia de trabalho, o escritório acordou de luto. Não tivemos tempo para despedidas. Chorei trancada na sala onde ele, por mais de 90 dias, me visitou. Estava profundamente triste.
E foi assim, entre uma lágrima e outra, que ela apareceu. Da janela, percebi que havia um (lindo) pôr do sol. Era a esperança.
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