Categories: COLABORADORES

Nem tão cigarra, nem tão formiga. A dose certa para desfrutar!

Estava aqui pensando numa forma de amenizar a carga dessas protagonistas da fábula, já que, embora tendo êxito, a formiga se matava de trabalhar, e, durante um período grande, era só que fazia.

E um monte de nós faz exatamente do mesmo jeito, prevendo os mais tenebrosos futuros, catástrofes e apocalipses que nunca virão.

É preciso dosar. Nosso passado dá um tom para o nosso futuro, mas não pode ser o comandante deste barco. Quem de nós nunca passou um sufoco, temendo um amanhã incerto, aquela noite de angústias por não ter no que se agarrar? Isso é horrível e quem dera pudéssemos pular essa parte, ou ao menos esquecer. Mas a vida não se resume somente a prevermos os momentos mais duros e estocarmos incessantemente o que julgamos ser vital para sobreviver.

Se for para pensar dessa forma, aí vai uma reflexão: Numa situação extrema, quem de nós conseguirá se fechar junto com suas conquistas e deixar um irmão, um amigo, um semelhante seu desprovido do essencial? De que adianta ser uma formiga egoísta, se for para passar o inverno condenada à solidão e à mesquinharia?

E a cigarra? A pobre infeliz que provavelmente cantava e cantava para espantar seus medos, para não demonstrar que quase nenhuma habilidade tinha, a não ser cantar? É certo que ela nem tentou, como muitas vezes nós fazemos. Se há alguém fazendo por nós, por que não sair e cantar?

Eu não gosto de ser formiga, embora me identifique mais com ela. Tampouco me agradaria ser cigarra, pois em pouco tempo o tédio me mataria.

Na minha fábula pessoal, sempre que eu estiver muito formiga, que me cutuque uma cigarra, que me convide a cantar.

E, naquela fase cigarra, indolente e preguiçosa, que apareça uma formiga e me tire da inércia, do eterno e etéreo desfrute, que me convide a construir algo comum.

E que isso seja recíproco, de modo que a “moral da estória”, seja uma troca interessante de valores e vivências. Quando não nos completamos, não desfrutamos.

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

Recent Posts

Um homem sem-teto pediu sua mão antes de morrer; semanas depois, ela descobriu o que ele escondia

Durante cerca de dois anos, Sarah manteve um hábito antes de chegar ao trabalho: comprava…

21 horas ago

TESTE DE RAPIDEZ: Há duas figuras nesta ilustração, mas a primeira pode impedir você de enxergar a outra

À primeira vista, a ilustração mostra apenas a cabeça de um cachorro de perfil, com…

2 dias ago

Ele tinha 18 anos, ela 42: os dois se apaixonaram nos bastidores de um filme esquecido e desafiaram todas as críticas

Em 2009, o ator britânico Aaron Johnson conquistou um dos papéis mais importantes de sua…

2 dias ago

TESTE DE INTELECTO: Um falcão aparece nesta imagem, mas há outro animal escondido que nem todo mundo percebe

Uma ilustração em preto e branco está desafiando a atenção de quem gosta de enigmas…

2 dias ago

TESTE DE ILUSÃO: Cinco árvores aparecem nesta imagem, mas uma delas esconde uma figura que poucos notam de imediato

Uma ilustração com cinco árvores, copas verdes e um céu azul parece mostrar uma paisagem…

2 dias ago

Ele marcou gerações no cinema e, aos 70 anos, voltou a chamar atenção por um detalhe no visual

Envelhecer diante das câmeras significa conviver com mudanças na aparência que dificilmente passam despercebidas pelo…

2 dias ago