É muito bom o conforto que sentimos quando tudo caminha num ritmo constante, quando parece que as coisas estão andando nos trilhos, em seus devidos conformes. Quando nosso emprego está indo bem, quando filhos estão encaminhados, quando podemos tomar uma cerveja em paz no final de semana.
Pura ilusão. Quase nada podemos controlar o tempo todo, todo dia, toda hora, o tempo inteiro. Tudo pode mudar num segundo, num piscar de olhos e, quando percebermos, nada mais terá chance de ser como antes. Um acidente, um incidente, um problema financeiro, de saúde, a morte, o fim do amor – a gente cai e é obrigado a sair de onde estiver. Não há zona de conforto que seja intocável.
O mundo anda tão célere e imprevisível, que tentamos manter certa constância onde pudermos, para, ao menos, abrandar um pouco nossa ansiedade. Tudo bem manter a rotina em certos aspectos da vida, para que nossos sentidos possam se reorganizar aqui dentro, em meio aos imprevistos que chegam. O ruim é tentar controlar o mundo e resistir a todo e qualquer tipo de mudança.
Tem gente que não consegue mudar um abajur de lugar, não compra produto que não tenha determinada marca, não come se não for no restaurante X, nem bebe se não tiver a bebida Y. Não muda o tipo de blusa, de calça, de corte de cabelo. Passa as férias na mesma praia, na pousada de sempre, impreterivelmente na segunda quinzena. Fidelidade é admirável, no tocante a sentimentos, mas, no correr da vida, há que se ter variedade, mudança, avanços.
Ouse, de vez em quando. Faz tão bem. Mude a cor do cabelo, a altura do salto, o comprimento da saia. Mude o roteiro da estrada, as músicas da playlist, o livro de cabeceira. Mude por fora, mude por dentro. Prove novos sabores, assista a seriados mexicanos. Experimente novas praias, roteiros inusitados. Não tema mudar, não tenha medo do novo. Se nada é previsível, seja um pouco imprevisível também.
Acredite: surpresas libertadoras aguardam aqueles que ousam ultrapassar os limites ilusórios de sua zona de conforto.
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