Guilherme Moreira Jr.

Não é que eu não me importe, mas algumas pessoas são esquecíveis

E não foram embora necessariamente por terem trazido maus-tratos, mas é que, por vezes, algumas pessoas que passam pelas nossas vidas não agregam e tampouco diminuem. Elas são esquecíveis. Chegaram e partiram em um tempo diferente, em um coração diferente.

Quantos relacionamentos já aconteceram pela casualidade dos instantes? Em quantas oportunidades entregamos afetos e recebemos uma descarada indiferença? O caminho natural seria pensar por baixo. Colocar demérito na própria atitude ou culpabilizar quem nada fez para merecer atenção. Mas é besteira atentar-se para isso. É nutrir um sofrimento desnecessário quando, na verdade, tudo o que fizemos foi sermos a nossa melhor versão. Infelizmente, nem todos os carinhos são garantias de reciprocidade. Infelizmente, temos hoje uma horda de almas que diz viver de mais, mas coloca-se de menos.

Não se engane, essas palavras estão bem distantes de serem lamentos embutidos por mágoas. Muito menos tratam-se de uma crítica social por quem deu com a cara no chão ao carregar sentimentos desastrados. Longe disso. Aqui, o que reside é simplesmente a constatação das entrelinhas deixadas durante uns dias, noutras noites.

Estar perto, somar e compartilhar dos mais variados relacionamentos é uma escolha. Sejam encontros efêmeros ou intensos, sempre existirão múltiplas possibilidades de caminhos. O entristecedor é perceber que, para muitos, certas escolhas precisam ser tomadas pelos outros e não por si. É a tal transferência de responsabilidade, sabe? Covardia das mais empobrecedoras desde que um casal qualquer, num século qualquer, decidiram que para terem suas vontades atendidas precisariam jogar entre eles.

É muito fácil falar de solidão e não saber ser só. É muito cômodo viver por amor e não saber amar-se. É, dentre tantas amenidades, pedir empatia e não saber estender a mão. Ainda assim, acenamos, balançamos a cabeça e deferimos outros pequenos gestos imaturos em prol das necessidades mais preguiçosas. Por quê?

Precisamos reconhecer limites. Devemos, o quanto antes, estabelecer algo mais para nós quando se trata de permitir quem fica. Porque muitos pedirão, com jeitinho, para ficarem. Mas desculpe, não me leve a mal. Não é que eu não me importe, mas algumas pessoas são esquecíveis.

Gui Moreira Jr

"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

Recent Posts

Rejeitado pela mãe e cresceu achando que mulheres eram “diabólicas” — hoje é um dos maiores cantores da história

Disseram a ele que mulheres eram “diabólicas” — anos depois, se tornou um dos maiores…

10 horas ago

A 1ª mulher que te chamou atenção revela se você está carente, no controle ou evitando desgaste emocional

Você bate o olho e escolhe uma mulher — simples assim. Mas essa escolha pode…

11 horas ago

Parece comum à 1ª vista, mas essa foto de uma mulher na praia carrega um detalhe escondido que a tornou histórica e famosa

Você acha que é só uma foto antiga de praia… mas tem um detalhe escondido…

11 horas ago

Sinal clínico revelador sobre a saúde: As consequências do ingurgitamento jugular

Esse detalhe pode revelar muito sobre o coração — e quase ninguém presta atenção nisso.…

1 dia ago

Frio de outono adiado: veja quais os 5 estados atingidos pela nova bolha de calor de quase 40°C

Quem estava esperando o começo do outono com manhãs mais frescas e temperaturas mais amenas…

1 dia ago

O que ninguém te conta sobre o impacto emocional de viver fora do Brasil

Morar fora parece, para muita gente, a solução para recomeçar. Um novo país, novas oportunidades,…

2 dias ago