Certeza é uma coisa que não nos acompanha. A gente pensa que ela anda de mãos dadas conosco, que gosta de estar por perto, mas não. Certeza é um bicho arisco que não tolera arreios nem coleiras. Anda livre e faz o que bem entende. Volta de vez em quando para beber uma água, comer um pouco e aliviar nossa eterna preocupação.
A certeza é parceira da vida nas questões de futuro. Nenhuma das duas dará pistas sobre o minuto seguinte. Podem, no máximo, concordar com alguns de nossos planos e incentivar as decisões. Mas, se tiverem que virar tudo de cabeça para baixo, não vacilam.
A ausência da certeza, dá lugar a convidados nem tão bem-vindos: E vão chegando pouco a pouco e se instalando sem cerimônias, a insegurança, o medo, as gêmeas: paranoia e neurose, por vezes, a depressão.
Lidar com a falta de certezas pode ser tarefa dolorosa. Queremos respostas definitivas! Precisamos mapear possibilidades e rotas de fuga!
E nos frustramos vez após vez, pois que em meia hora a vida vem e bagunça tudo. E só nos resta reagir ao novo, ao improvável, à situação do momento.
É preciso fibra, coragem, espírito de luta e resistência. A corda bamba da vida balança ainda mais quando nos vê medrosos, vacilantes, inseguros.
Em meia hora a gente recebe uma notícia linda ou um diagnóstico desolador. Em meia hora vem aquela ideia que resolve um super problema ou o banco quebra e leva nossas economias.
Em meia hora a gente decide fazer as pazes ou romper para sempre. Em meia hora o rosto se ilumina com uma presença nova na vida, ou a gente até morre.
A meia hora pode durar um instante ou grande parte da vida e aí vai o mistério que não deixa as certezas fazerem ninho.
Conviver com as meias horas da vida é se abrir para os movimentos que não temos autonomia para fazer sozinhos. Podemos contribuir, devemos lutar, resistir, não entregar o jogo, mas precisamos mais do que tudo, entender que não sabemos onde nem quando vamos chegar.
O foco é o minuto vivenciado, a respiração completa, o coração pulsante e o desejo de mais meia hora, sempre!
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