Celebridades

Na escola, faziam da sua vida um inferno. Diziam que era ‘fresco’ por saber dançar. Quase desistiu da arte, mas acabou se tornando o ator mais querido do mundo

Antes de ser Johnny Castle, o homem que conquistou milhões em Dirty Dancing, Patrick Swayze precisou aprender a conviver com uma contradição bastante cruel: aquilo que mais tarde seria uma de suas maiores marcas, a dança, foi justamente uma das razões pelas quais ele sofreu agressões durante a infância.

Nascido em Houston, Texas, em 18 de agosto de 1952, Swayze cresceu em uma família profundamente ligada às artes. Sua mãe, Patsy Swayze, era coreógrafa e professora de dança e mantinha um estúdio onde Patrick começou a treinar ainda criança. Ao mesmo tempo, ele praticava futebol, natação, ginástica, mergulho e outros esportes.

O problema era que, para alguns colegas, um menino que dançava ballet e carregava um violino simplesmente oferecia um alvo fácil.

Ele apanhava por gostar de dança

Durante os anos escolares, Patrick era provocado com frequência por outros garotos. A implicância não ficava somente nas palavras. Segundo relatos biográficos, ele chegou em casa com hematomas depois de confrontos físicos.

A imagem daquele adolescente atlético carregando sapatilhas de ballet e um estojo de violino acabou se tornando quase simbólica. Patrick gostava de dança, teatro e música, mas também tinha facilidade para esportes. A combinação, entretanto, não impediu que fosse hostilizado por aquilo que seus colegas consideravam inadequado para um garoto.

Seu pai, Jesse Swayze, havia sido boxeador e decidiu ensinar o filho a se defender. A estratégia da família era pouco delicada: se os outros meninos queriam briga, Patrick deveria aprender a não recuar. A Texas State Historical Association confirma que o pai o ensinou a se proteger e que, depois disso, o jovem ganhou reputação de alguém que sabia reagir.

A mãe também entrou na história de uma maneira bastante peculiar.

Quando soube que o filho estava sendo importunado, Patsy teria aconselhado Patrick a tirar as sapatilhas do bolso e enfrentar os garotos. Em determinado episódio, ele chegou a procurar um treinador e pediu para enfrentar os envolvidos individualmente usando luvas de boxe.

Não era exatamente a abordagem que hoje seria recomendada para combater o bullying. Mas, naquele momento, a família aparentemente acreditava que fazer Patrick aprender a se defender seria a maneira de acabar com as agressões.

A mãe que o ensinou a dançar também podia ser extremamente dura

Patsy Swayze teve enorme influência na formação do filho. Ela era conhecida por sua disciplina rígida e por cobrar muito dos alunos e dos próprios filhos. Seu estúdio acabou sendo um dos lugares mais importantes da vida de Patrick, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Foi ali, inclusive, que ele conheceu Lisa Niemi, sua futura esposa.

Mas a relação entre mãe e filho tinha um lado bem mais complicado.

Documentários e relatos de pessoas próximas à família revelaram que Patsy podia ser extremamente severa e, em determinadas situações, violenta. No aniversário de 18 anos de Patrick, houve um episódio particularmente grave. Lisa Niemi contou posteriormente que Jesse Swayze interveio e ameaçou pedir o divórcio caso a situação se repetisse. Depois disso, segundo Niemi, Patsy nunca mais bateu no filho.

O episódio ganhou ainda mais complexidade porque pessoas próximas à família relacionaram o comportamento de Patsy às experiências difíceis que ela própria teria vivido durante a infância. Isso ajuda a contextualizar a história, mas não transforma violência em algo aceitável.

Patsy também era conhecida por exigir disciplina absoluta. Um amigo de infância contou que, quando ela determinava que Patrick deveria estar em casa à meia-noite, chegar às 0h01 já era motivo suficiente para problemas.

Ao mesmo tempo, ela teve papel decisivo na construção do talento que levaria o filho a Hollywood. O Los Angeles Times descreveu Patsy como uma professora exigente, dedicada a desenvolver força, técnica e autoconfiança nos alunos. Ela chegou a trabalhar como coreógrafa no filme Urban Cowboy, de 1980.

Leia tambémEla carregava na perna a marca de um ataque de tubarão até tomar uma decisão surpreendente

Leia tambémMandar texto em vez de áudio pode dizer mais sobre você do que parece, segundo a psicologia

Uma lesão quase mudou completamente seu destino

Patrick não tinha inicialmente como objetivo principal ser ator.

Na adolescência, destacava-se tanto nos esportes que chegou a sonhar com uma bolsa universitária de futebol. Em 1970, porém, sofreu uma grave lesão no joelho durante uma partida e viu esse plano ficar comprometido. A lesão também prejudicou outras ambições esportivas, incluindo seus planos relacionados à ginástica.

Durante a recuperação, voltou a dedicar ainda mais atenção à dança.

Em 1972, mudou-se para Nova York para continuar sua formação. Estudou no Harkness Ballet e no Joffrey Ballet e chegou a trabalhar profissionalmente como bailarino. Mas seus problemas no joelho continuaram. A carreira como bailarino clássico acabou sendo limitada pelas lesões, e Patrick começou a direcionar sua experiência física e artística para a atuação.

Foi uma mudança decisiva.

Hollywood demorou, mas quando chegou, mudou tudo

Patrick conseguiu trabalhos no teatro e pequenas oportunidades antes de começar a chamar atenção no cinema.

Em 1983, apareceu em The Outsiders, dirigido por Francis Ford Coppola, ao lado de nomes como Tom Cruise, Matt Dillon e Emilio Estevez. Depois vieram Red Dawn e Youngblood.

Então chegou 1987.

Em Dirty Dancing, Swayze interpretou Johnny Castle, o instrutor de dança de um resort que se envolve com Frances “Baby” Houseman, personagem interpretada por Jennifer Grey. O filme, que inicialmente não parecia destinado a se tornar um fenômeno desse tamanho, transformou Swayze em um dos principais astros românticos de Hollywood.

A dança que havia servido de motivo para tantas provocações na adolescência agora era justamente uma das razões pelas quais milhões de pessoas queriam vê-lo na tela.

E sua aparência ajudou a completar a transformação. Swayze passou a ser tratado como um dos grandes símbolos de beleza masculina de sua geração. Em 1991, depois do sucesso de Dirty Dancing e Ghost, a revista People o colocou entre os homens mais sexy do mundo.

A fama trouxe problemas que ninguém via na tela

A ascensão profissional não eliminou suas dificuldades pessoais.

A morte do pai, em 1982, foi um golpe profundo. Anos depois, em 1994, sua irmã Vicky morreu por suicídio. Patrick era muito ligado a ela e carregava responsabilidades financeiras relacionadas aos cuidados da irmã, o que aumentou seu sentimento de culpa após a morte.

Também havia a frustração de não ter conseguido ser pai. Patrick e Lisa Niemi perderam uma gestação em 1990 e não tiveram filhos. Os dois permaneceram casados até a morte do ator, em 2009.

Em determinado período, o álcool passou a fazer parte da maneira como ele lidava com a pressão e as perdas. O próprio Swayze reconheceu posteriormente que havia bebido demais durante sua adaptação à fama. Depois de uma recaída relacionada ao consumo de álcool, chegou a buscar tratamento.

O homem de Dirty Dancing morreu aos 57 anos

Em janeiro de 2008, Patrick Swayze recebeu o diagnóstico de câncer de pâncreas em estágio avançado. Mesmo durante o tratamento, continuou trabalhando e estrelou a série The Beast.

Ele morreu em 14 de setembro de 2009, aos 57 anos, depois de cerca de 20 meses convivendo com a doença.

O que torna sua história especialmente curiosa é que o mesmo garoto que era ridicularizado por dançar acabou construindo uma carreira na qual dança, força física e atuação se tornaram praticamente inseparáveis.

E aquela característica que seus agressores usavam para humilhá-lo, sua ligação com a dança, acabou sendo justamente uma das ferramentas que o transformaram em Patrick Swayze, o homem que Hollywood aprendeu a associar a Dirty Dancing, Ghost e a uma imagem de galã que atravessou gerações.

Leia tambémEle fazia isso há anos sem medo até sofrer múltiplos AVCs e descobrir uma possível ligação

Compartilhe o post com seus amigos! 😉

Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

Recent Posts

Quem reconhece esses olhos? A antiga musa de Hollywood está com 67 anos e surpreende hoje

Durante décadas, algumas imagens de Hollywood ficaram tão associadas a uma época que basta um…

1 hora ago

As últimas palavras, de partir o coração, do toureiro que perdeu a vida chifrado ao tropeçar em sua capa

Poucos segundos podem separar uma apresentação diante de milhares de pessoas de uma situação em…

2 horas ago

Ela enfrentou o vício, perdeu o nariz e sumiu da TV — hoje, sua aparência impressiona

Algumas consequências do uso de drogas desaparecem quando o período mais difícil fica para trás.…

1 dia ago

Terapia online em português: uma alternativa para brasileiros que vivem fora do país

Viver no exterior costuma ser associado a novas oportunidades, crescimento profissional e experiências culturais. Tudo…

2 dias ago

Ela carregava na perna a marca de um ataque de tubarão até tomar uma decisão surpreendente

Há cicatrizes que chamam atenção antes mesmo que alguém conheça a história por trás delas.…

2 dias ago

Mandar texto em vez de áudio pode dizer mais sobre você do que parece, segundo a psicologia

No WhatsApp, existe uma diferença que vai além do tempo gasto para apertar teclas ou…

2 dias ago