Celebridades

Muitos não sabiam o que ele passou: Após batalha que mudou sua vida, lenda do cinema reaparece aos 79 anos em foto rara

Há atores que ficam presos a um personagem. E há aqueles que fazem o contrário: transformam um papel famoso em porta de entrada para uma carreira muito maior.

O Pennywise de “It” é lembrado até hoje por causa do rosto pintado, do olhar torto e daquele jeito de falar que misturava brincadeira e ameaça. Mas reduzir o intérprete do palhaço assassino a esse papel seria deixar boa parte da história fora da foto.

A minissérie “It”, baseada na obra de Stephen King, foi exibida em 1990 e virou uma daquelas produções que muita gente viu cedo demais, em horário errado, e nunca esqueceu.

O palhaço aparecia com uma energia estranha: infantil por fora, cruel por dentro. Sem depender de grandes efeitos digitais, a força vinha principalmente da atuação.

O ator por trás desse personagem é Tim Curry, nome completo Timothy James Curry, britânico nascido em 19 de abril de 1946. Antes de assustar uma geração como Pennywise, ele já tinha passado pelo teatro, pela música, por musicais ousados e por papéis que exigiam presença física, voz marcante e um timing muito próprio.

A carreira de Curry começou a ganhar corpo nos palcos. Seu primeiro trabalho profissional foi na montagem londrina de “Hair”, em 1968, e depois vieram produções teatrais que ajudaram a moldar o tipo de artista que ele se tornaria: expressivo, exagerado na medida certa e sempre capaz de levar um personagem para um lugar menos óbvio.

O grande salto veio com “The Rocky Horror Show”, em 1973, quando ele assumiu o papel de Dr. Frank-N-Furter. A peça abriu caminho para o filme “The Rocky Horror Picture Show”, lançado em 1975, que se tornou um fenômeno cult e manteve Curry ligado a fãs de várias gerações.

Depois disso, o ator não ficou preso a um tipo de papel. Ele foi do humor ao terror, do musical ao suspense, do teatro à dublagem. Apareceu em produções como “Clue”, “Legend”, “Annie”, “Muppet Treasure Island” e “Home Alone 2: Lost in New York”. Em muitos desses trabalhos, mesmo quando não era o protagonista absoluto, Curry chamava atenção pela forma como ocupava a cena.

Em “It”, no entanto, ele encontrou um personagem feito sob medida para sua habilidade de alternar charme, ironia e ameaça. Pennywise podia parecer engraçado por um segundo e aterrorizante no instante seguinte. Essa mudança rápida de temperatura era parte do desconforto causado pela atuação.

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O curioso é que o medo provocado pelo personagem não vinha só da maquiagem. Curry construiu Pennywise com voz, pausas, expressões faciais e pequenos gestos. Era um palhaço que sorria como quem sabia algo que a criança em cena — e o público em casa — ainda não tinha entendido.

Hoje, Tim Curry está em uma fase bem diferente da vida. Em 2012, ele sofreu um AVC grave, que deixou sequelas físicas importantes. O ator passou a usar cadeira de rodas e reduziu bastante suas aparições em frente às câmeras. Em entrevista ao “The Guardian”, ele falou sobre o impacto do AVC e sobre como o humor continuou sendo uma ferramenta importante para lidar com a nova rotina.

Mesmo com as limitações, Curry não desapareceu. Ele seguiu trabalhando principalmente com voz, área em que sempre teve enorme destaque. Após o AVC, passou a aceitar mais trabalhos de dublagem, já que papéis físicos se tornaram mais difíceis.

A voz, aliás, sempre foi um de seus maiores instrumentos. Muito antes de essa fase se tornar necessária por questões de saúde, Curry já era reconhecido como um dos grandes nomes da dublagem. Entre seus trabalhos mais lembrados está Nigel Thornberry, da animação “The Wild Thornberrys”, além de muitos outros personagens em desenhos, games e audiolivros.

Nos últimos anos, imagens recentes do ator circularam bastante nas redes sociais e surpreenderam quem guardava na memória a aparência dele nos anos 1990. Hoje, Curry aparece mais envelhecido, usando cadeira de rodas e com uma rotina pública mais reservada. Ainda assim, continua participando de eventos, convenções e encontros ligados à própria carreira.

Em 2025, ele voltou aos holofotes com o lançamento de sua autobiografia, “Vagabond”, publicada pela Grand Central Publishing nos Estados Unidos e pela Cornerstone no Reino Unido. O livro revisita sua infância, seus trabalhos no teatro, no cinema, na televisão e também sua recuperação após o AVC.

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A imagem atual de Tim Curry pode causar espanto em quem o associa apenas ao Pennywise ou ao Frank-N-Furter de “The Rocky Horror Picture Show”. Mas ela também mostra algo que combina bastante com sua carreira: o ator mudou de formato, de ritmo e de presença, mas continua ligado ao trabalho e ao público.

Por isso, quando se fala no intérprete do palhaço assassino de “It”, a história vai além do terror televisivo dos anos 1990. Tim Curry construiu uma carreira rara, feita de personagens estranhos, sofisticados, cômicos, sombrios e difíceis de copiar. Pennywise foi o papel que assombrou muita gente, mas o ator por trás dele sempre foi maior que a maquiagem.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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