Ana Macarini

Mudar o foco. Olhar além… Porque jeito, sempre tem!

Puxa vida! Tem épocas na vida da gente que parecem verdadeiros testes de resistência, de paciência e de virtude também. Quem já esteve naquele lugarzinho que fica pra baixo do fundo, onde ninguém é capaz de nos enxergar, sabe sobre o que estou falando.

O mais curioso e triste é que nessas horas aparecem milhares de pessoas anônimas prontas para comentar, criticar e apontar o dedo. E é claro que tudo isso é feito à nossa revelia, por trás, pelas costas.

Quem sabe se os “comentaristas de plantão” tivessem coragem de tecer suas opiniões bem na nossa cara, essa afronta ao menos não nos servisse de estímulo, posto que desaforos sinceros e honestos têm lá sua utilidade; tiram a gente do poder incapacitante da dor.

Ahhhhh, mas isso é uma raridade. Enquanto a gente luta para reverter uma situação de perda, ou erro, ou deslize, a plateia se avoluma na mesma proporção em que desaparecem os verdadeiros amigos.

O fim de um relacionamento, o afastamento de um amigo, uma desavença familiar, a perda de um emprego, a falência de um projeto, há inúmeras situações de quebra que podem nos atingir. E, é bom que se diga, nenhum de nós nasceu vacinado contra catástrofes, sejam elas pequenas ou devastadoras.

É fato que uns pelejam mais que outros. Mas a peleja é parte da vida. É ao sobrevivermos às provações que vamos descobrindo dentro de nós novos recursos para dar outros sentidos à nossa existência, outros talentos, outros jeitos de sorrir. A humildade é matéria-prima indispensável para dar a volta por cima, por baixo, pelos lados, por onde for.

Absorver o tombo, verificar os danos e as perdas, cuidar das feridas, dar tempo aos hematomas para que se dissolvam e virem apenas uma lembrança. E se houver cicatrizes, que elas sirvam para nos lembrar que apesar do desastre, nós ainda estamos aqui. Mudar o foco. Olhar além… Porque jeito, sempre tem!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “O quarto de Jack”.

Ana Macarini

"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"

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