Quando um crime vira estatística e o Estado demora (ou falha) em responder, algumas famílias entram num modo extremo: passam a investigar por conta própria, porque ficar parado dói mais do que o risco.
Foi assim com a mexicana Miriam Elizabeth Rodríguez Martínez, que transformou o luto pela filha em uma busca obsessiva por provas — e por responsabilização.
A história começa em 2012, quando Karen Alejandra Salinas Rodríguez, filha de Miriam, desapareceu em San Fernando, no estado de Tamaulipas, uma área marcada pela violência do crime organizado.
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A família chegou a pagar resgate, mas Karen não voltou. Anos depois, os restos mortais dela foram localizados, e a suspeita de envolvimento de integrantes do cartel Los Zetas passou a aparecer com força no caso.
Sem ver avanço consistente das autoridades, Miriam decidiu fazer aquilo que muita gente só imagina em filme: recolher pistas, checar nomes, rastrear paradeiros e montar um quebra-cabeça humano de quem tinha participado do sequestro e do assassinato.
Ela usou disfarces e identidades falsas para se aproximar de suspeitos e obter informações — e, ao longo de cerca de três anos, contribuiu para que dez pessoas ligadas ao crime contra a filha fossem localizadas e presas.
A “vingança”, no caso, não foi virar justiceira de rua: foi colocar os responsáveis no radar da prisão.
Esse tipo de iniciativa, porém, tem um preço alto no México: quem expõe grupos armados costuma virar alvo. Miriam também passou a atuar ao lado de outras famílias, ajudando a organizar um coletivo de busca por desaparecidos na região — justamente num país onde o desaparecimento de pessoas é uma ferida pública e recorrente.
Em 10 de maio de 2017 — Dia das Mães no México — Miriam foi assassinada em casa, em San Fernando, após homens armados invadirem o local.
Relatos citam que ela foi atingida 12 vezes e morreu a caminho do hospital. Entidades internacionais e organizações de direitos humanos condenaram o crime e cobraram investigação e proteção a defensores e familiares que procuram desaparecidos.
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