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Lugar de mulher é na cozinha, quem nunca ouviu essa máxima? Ou melhor (pior): quem nunca a ouviu em pleno século XXI?
Embora vivamos em um mundo moderno e pluralizado, de liberdades e igualdade de direitos, a mulher ainda continua sendo constantemente reduzida a lugares comuns do imaginário masculino, que já deviam há muito tempo ter sido superados. Entretanto, esse problema persiste e, portanto, faz-se mais do que necessário falar nele.
Muitas pessoas que argumentam contra a luta das mulheres pelo seu lugar na sociedade, dizem que o que elas pretendem é completamente incompatível com a sua natureza, uma vez que homens e mulheres são diferentes. Obviamente, existem diferenças biológicas entre os sexos, o que acaba acarretando em determinadas características possuírem um tom mais feminino e outras algo mais masculino.
No entanto, antes de qualquer coisa, isso não significa que existem características e coisas exclusivas de mulheres e homens, porque como disse certa feita Rubem Alves – o masculino e o feminino habitam o homem e a mulher. O que ocorre, a bem da verdade, é que essas diferenças têm servido ao longo da história como pretexto para que haja um determinismo aplicado em relação à mulher, o qual a leva para um estado de exploração, opressão e supressão de seus desejos e vontades, sendo reduzida aos desígnios da consciência masculina.
Dessa maneira, cria-se barreiras em relação às aspirações da mulher e ao seu acesso a setores que anseia no mundo, já que na visão do “macho”, determinados lugares são exclusivos para homens. E mesmo que alguma mulher ouse adentrar nesses “clubes do bolinha”, elas dificilmente são olhadas com o mesmo respeito e admiração destinados a um homem.
O medo por parte dos homens de que exista uma mulher no mesmo patamar que o seu ou em um nível superior é assustador, o que os leva a criar mecanismos que dificultem a ascensão delas, representando a vontade de manter o seu poder e influência sobre o gênero feminino.
A partir dessa cosmovisão vem a máxima de que “lugar de mulher é na cozinha”, pois para a maior parte dos homens é interessante que as mulheres fiquem circunscritas ao trabalho doméstico. O argumento utilizado para tanto é que cuidar do lar além de ser uma função primordial feminina, requer cuidados e capacidades que o homem não possui.
Ainda que admitamos isso e reconheçamos que cuidar do lar não é demérito nenhum, muito pelo contrário, por que os problemas que envolvem esse universo são sempre secundarizados em relação, por exemplo, aos problemas profissionais do homem? Ou seja, posto que o trabalho doméstico seja alvo de tanta estima pelos homens que querem as suas “doninhas”, por que os problemas provenientes dele são totalmente desvalorizados e tratados com completa falta de interesse por parte dos homens?
Simples, porque ele não é visto com a estima que se pronuncia, e sim como o único lugar em que a mulher deve ficar, mantendo a sua subserviência ao macho-herói que sai para ganhar a vida e, assim, não deve ser incomodado com qualquer tipo de besteira incrustada na cabeça da mulher (louca, histérica e paranoica, não raras vezes).
Esse exemplo, que é ao mesmo tempo corriqueiro e emblemático, demonstra de que forma a mulher é ao mesmo tempo setorizada e secundarizada, reforçando a ideia de que a mulher deve ser submissa ao homem, de que não deve obter conquistas próprias, dignidade própria e vida própria. Isto é, de que tudo que faça deva ser em função de um homem, a partir de um homem e para um homem.
Nesse emaranhando machista, há ainda que se observar o modo como até as conquistas femininas são monopolizadas pela visão masculina e se voltam contra elas, como é o caso, para exemplificar, da conquista da liberdade sexual pela mulher. Na medida em que a mulher se tornou mais livre sexualmente, houve também o aumento na estereotipação da mulher como libertina, o que é, evidentemente, uma construção masculina, assim como foi a de malignidade ligada à mulher na Idade Média, já que alguém deveria servir de bode expiatório para os pecados cometidos, acima de tudo, pelos homens.
É claro que nem todos os homens possuem uma visão limitada acerca da mulher, como também, esta conquistou espaços que outrora sequer se imaginava. Todavia, ainda há o predomínio de uma visão restrita (tanto em homens quanto em mulheres, afinal o machismo não é exclusivo de homens), a qual delimita a mulher a um espaço que está muito aquém da sua real capacidade, que é tão boa quanto a de um homem.
O que se precisa é abrir mão de preconceitos mesquinhos que ainda permanecem, mesmo que involuntariamente, e impendem que a mulher seja livre de qualquer imposição ou desígnio masculino, já que lugar de mulher é onde ela queira estar, sendo dona do seu querer e com brilho próprio. E isso, meus camaradas, não é abrir mão da masculinidade, pois todo macho que se preze sabe que lugar de mulher é no mundo.
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