Jovem de 27 anos que ligou as trompas: “Não odeio crianças, só não quero ser mãe”

A argentina Belén Álvarez soube desde criança que não queria ser mãe, mas a a sociedade sempre a condenou por sua decisão. “Conheço tantas pessoas idosas que ninguém vai visitar e morrem lá, sozinhas, que sei que ter filhos não garante nada. Além do mais, você vai trazer uma criança ao mundo para ser sua enfermeira? Isso parece muito egoísta.", diz ela.

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Em 2007, Belén Álvarez (Argentina) tinha apenas 14 anos quando uma de suas professoras primárias lhe despertou para uma consciência que até então ela não tinha.

Belén sempre soube que não queria filhos, mas ninguém tinh ainda levado sua decisão à sério. Quando sua família, ou seus namorados lhe perguntavam sobre filhos e ela respondia com muita vergonha que maternidade não estava nos seus planos, se sentia imensamente julgada.

Mas uma situação com a sua professora em sala de aula a fez enxergar que a sua escolha deveria ser tão respeitada quanto a oposta. Tudo começou quando uma colega demonstrou sentiu pena da professora por não ter filhos, e foi aí que a docente interrompeu a aula e deu uma resposta que marcaria para sempre a vida de Belén.

“Ela respondeu que o fato de não ter tido filhos não era fruto de uma incapacidade sua, mas de uma escolha consciente. Ressaltou que ela também não tinha se casado e era feliz mesmo assim. E minha cabeça explodiu naquele momento. Eu sentia o mesmo que ela, mas não sabia que era possível uma mulher viver sem essas duas coisas, casamento e maternidade. E a partir daí ficou mais claro do que nunca: ‘Este é o estilo de vida que eu quero”, contou Belén Álvarez para o Infobae.

O tempo foi passando e Belén se manteve firme em sua posição, tendo que aguentar todos os julgamentos à sua volta. Ela namorou por seis anos e as pessoas presumiram que “ela sentiria o chamado da maternidade”, o que nunca aconteceu.

Ela acabou percebendo que “a sociedade não está acostumada com mulheres que decidem sobre o próprio corpo”, e que “o corpo é propriedade privada, e a decisão de ter ou não filhos é de cada um”.

Em dado momento, Belén soube da existência do movimento global C hild Free, que reúne mulheres e homens que não planejam ter filhos. E lá ela encontrou apoio, conforto e esperança.

“Me deparei com um mundo de pessoas que compartilhavam esse sentimento de não querer ter filhos. Todos nós tivemos experiências semelhantes, estávamos lidando com a aquela tia que no Natal insiste: ‘Até quando vai adiar ser mãe’ De repente, o Child Free me deu apoio. Já não me sentia sozinha, não me sentia maluca.”, disse a jovem.

Belén explica que não odeia crianças e não faz julgamentos morais sobre quem decide ter filhos, mas entende que cada pessoa tem seus desejos e planos para a vida, e isso pode incluir uma criança, ou não.

A jovem, agora com 27 anos e neurofisiologista, decidiu ratificar sua decisão depois de algum tempo e, depois de quase 10 anos processando o assunto e recebendo negativas ou evasivas dos médicos, conseguiu ligar as trompas no final de 2019.

“Conheço tantas pessoas idosas que ninguém vai visitar e morrem lá, sozinhas, que sei que ter filhos não garante nada. Além do mais, você vai trazer uma criança ao mundo para ser sua enfermeira? Isso parece muito egoísta.”, finaliza Belén Alvarez.

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Redação Conti Outra, com informações de UPSOCL.
Foto destacada: Reprodução

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