Voltar da Lua não termina com abraço no aeroporto nem porta de casa abrindo no fim do expediente.
No caso da Artemis II, a parte mais delicada começa justamente quando a cápsula Orion encosta no oceano: resgate cronometrado, checagem de segurança, avaliação médica e uma rota já traçada longe de qualquer retorno imediato para a rotina.
A missão da NASA deve terminar nesta noite de sexta-feira, 10 de abril, com amerissagem prevista para cerca de 21h07 no horário de Brasília, no Pacífico, perto da costa de San Diego.
A bordo estão Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, os quatro integrantes da Artemis II, a primeira missão tripulada do programa Artemis a dar a volta na Lua e voltar à Terra.
Mas ninguém vai sair da cápsula, pegar uma carona e seguir para casa. Depois do pouso no mar, equipes da NASA e da Marinha dos Estados Unidos entram em ação para retirar os astronautas da Orion e levá-los de helicóptero ao navio USS John P. Murtha. É esse o primeiro destino deles após a volta.
No navio, os astronautas passam por uma avaliação médica pós-missão na enfermaria de bordo.
Esse procedimento faz parte do protocolo de recuperação: a agência quer checar o estado físico da tripulação logo após a reentrada na atmosfera e o impacto de quase dez dias em missão no espaço profundo.
Só depois disso começa o deslocamento de volta ao continente.
E o caminho ainda não acaba ali. Segundo a NASA, após o atendimento no USS John P. Murtha, o grupo segue de volta à costa e depois embarca para o Johnson Space Center, em Houston, no Texas.
Ou seja: antes de rever a própria cama, eles ainda passam por uma espécie de “pós-operatório” da missão, com exames, acompanhamento e os primeiros compromissos oficiais do retorno.
Há um detalhe curioso nessa história. Na era Apollo, astronautas que voltavam da Lua chegaram a ficar em quarentena por precaução, por medo de algum tipo de contaminação lunar.
Hoje isso não faz mais parte do protocolo: a NASA aboliu essa exigência depois de não encontrar evidências de micro-organismos lunares. Na Artemis II, portanto, o freio da agência não é para isolá-los por semanas, e sim para cumprir o pacote padrão de recuperação médica e operacional antes da liberação.
Na prática, o roteiro da volta será este: oceano Pacífico, helicóptero, USS John P. Murtha, exames médicos, costa americana e Houston. Casa mesmo, só depois.
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