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Gordinho ou magrinho, esperto ou trouxa, namore quem lhe faça sentir amor

Ahh… que bom seria se houvesse receita para essas coisas! “Namore um gordinho porque ele faz piada quando você está triste…”. “Escolha um ‘trouxa’ porque ele lava a louça que você larga na pia…”. “Prefira um desencanado porque ele não liga se o seu cabelo está sujo…”. Com todo o respeito às idealizações sem mais, aos sonhos doces de cada hora, às esperanças inocentes, eu acho mesmo é que a única condição para namorar uma pessoa é um pouco mais simples que isso: a gente precisa sentir amor por ela.

Pouco importa se é gordinho ou se é magrinho, branco ou preto, mulher ou homem. Vale é o fato desse alguém despertar em você um sentimento de amor! Quer dizer que o coração dele se aproximou do seu. Que as suas humanidades se encontraram, suas dores se cruzaram, suas alegrias se sorriram. Quer dizer que alguém, finalmente, mexeu de um jeito bom em alguma coisa aí dentro de você e lhe provocou amor. Pronto! Só o que lhe resta é ver no que vai dar. Se não der em nada, paciência. Já valeu o fato de ter sentido amor.

Porque, você sabe, amor é coisa que a gente sente sem dar a mínima para a lógica burocrática do “primeiro você se apaixona e só depois você ama…”. Balela! Coisa mais chata esse negócio de reduzir o amor a um sentimento que só vem com o tempo! Como cansam os gênios com mania de explicar o amor e enchê-lo de regras!

Agorinha ainda eu senti amor aqui perto, na rua, por uma total desconhecida. Ela tirou um saquinho plástico do bolso e recolheu o cocô que o cachorro dela havia feito na calçada. Aí vem o especialista enfadonho e determina: “o que você sentiu por ela foi simpatia, não foi amor!”. E eu respondo: “a simpatia é minha e eu dou a ela o nome que eu quiser!”. Inclusive amor.

Não, eu não quero namorar a desconhecida do cachorro. Mas seu gesto educado fez nascer em mim um sentimento de amor. E isso não é pouco. Tivesse de escolher uma namorada entre a melhor pessoa do mundo e aquela que me faz sentir amor, é certo que eu ficava com a segunda opção.

Sensação amorosa é uma pista de ouro. A gente segue o que o coração indica. Serve tanto na hora de se aproximar quanto no instante de se afastar de alguém. Ouvir as palavras mudas do sentimento, partir para onde elas sopram, seguir nossa intuição amorosa é fazer o que o coração orienta. E o coração sabe das coisas. Mais do que qualquer especialista, ele sempre acerta quando diz que estamos sentindo amor.

E sentir amor, ainda que seja um fiozinho amoroso de nada, é a única coisa que vale na hora de escolher namorar alguém. Seja gordinho ou magrinho, esperto ou trouxa, branco ou preto, rico ou pobre, homem ou mulher.

André J. Gomes

Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.

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