Celebridades

Gilberto Gil fala sobre a saúde da filha Preta e reflete sobre a morte: “É preciso aceitar o fim”

Gilberto Gil está prestes a iniciar sua última turnê, “Tempo Rei”, que estreia neste sábado (15) na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA). Em entrevista ao jornal O Globo, o cantor e compositor de 82 anos falou sobre o novo ciclo em sua carreira, a saúde da filha Preta Gil e sua visão sobre a morte.

Uma despedida consciente

Embora a turnê “Tempo Rei” seja anunciada como a última de sua carreira, Gilberto Gil reforça que isso não significa o fim de sua produção artística. “Pelo menos na medida em que eu tenha, como tenho, uma expectativa de viver ainda mais alguns anos”, disse o cantor. Ele destaca como a medicina tem contribuído para aumentar a longevidade e como isso tem permitido que artistas como ele, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Chico Buarque continuem em atividade após os 80 anos.

Apesar disso, Gil encara a despedida com serenidade e aceitação: “Tento evitar um emocionalismo dominante que me embargue a voz na hora de cantar. Mas tem uma emoção. Tem a ver também com essa condição de admitir e adotar a finitude como um elemento integrante da vida. A morte faz parte da vida nesse sentido. É preciso respeitar o fim”.

A saúde de Preta Gil

Ao chegar a Salvador, Gilberto Gil visitou Preta Gil no hospital. A cantora segue em tratamento desde o diagnóstico de um câncer no intestino, em 2022. “A condição dela, desde que foi diagnosticada com câncer, os tratamentos e intervenções, é um conjunto de dedicação profunda que ela tem que ter à própria saúde e apreço pela vida”, comentou o artista.

Gil ressalta a força da filha e a forma como ela tem compartilhado sua jornada com o público: “Ela escolheu criar a solidariedade coletiva diante dela, a obrigação de dar satisfações permanentes ao público da sua condição de saúde e receber a satisfação dele. É uma quantidade imensa de pessoas que vêm falar comigo da solidariedade a ela, do desejo que se recupere”.

Reflexões sobre a morte

A temática da finitude não é novidade na obra de Gilberto Gil, que sempre refletiu sobre o tema em suas canções. Questionado sobre a aceitação da morte, ele revelou que sua compreensão veio com experiências pessoais e aprendizados filosóficos e religiosos. “Ter perdido um filho tem a ver. Ter perdido muitos amigos ainda jovens naquela época em que a AIDS devastou parte importante da juventude mundial. Mas tem a ver, principalmente, com o aprendizado através dos mestres, das filosofias, das religiões”.

Sobre a morte em si, Gil destaca sua relação com a espiritualidade: “Não sei o que acontece depois. Já quis saber, já ousei achar que poderia ser isso ou aquilo. Mas eu deixei de especular. Vai ser o que tiver que ser”. No entanto, admite um certo receio do processo de morrer: “M é um ato ainda físico, corporal, ainda é aqui, na vida, no sol, no ar. A morte, nesse sentido dessa possível expansão infinita, vai ser o que Deus quiser. Seja feita a vossa vontade, como diz os últimos versos da Ave Maria. ‘Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu’. No Padre Nosso, na Ave Maria, ‘rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”

O legado imortal

A longevidade de sua obra é algo que Gil encara com naturalidade. Mesmo em um momento de avanços tecnológicos e inteligência artificial, ele não se preocupa com o que pode ser feito com sua voz ou imagem no futuro. “A permanência, a perenização daquilo que a gente faz é uma coisa meio garantida por todas as formas de registro. Especialmente as mais novas que surgiram, como a inteligência artificial”, comentou.

Gilberto Gil segue sua jornada com leveza, aceitando os ciclos da vida e da morte, enquanto sua música continua a ecoar pelo tempo. Como ele mesmo canta: “Tempo rei, transformai as velhas formas do viver”.

CONTI outra

As publicações do CONTI outra são desenvolvidas e selecionadas tendo em vista o conteúdo, a delicadeza e a simplicidade na transmissão das informações. Objetivamos a promoção de verdadeiras reflexões e o despertar de sentimentos.

Recent Posts

Pouco antes de morrer de câncer, ele ainda mantinha um hábito que já preocupava amigos havia anos

Patrick Swayze ficou marcado no cinema pela condição física exibida em filmes como Dirty Dancing,…

2 dias ago

DESAFIO: Você pode olhar várias vezes para esta imagem e ainda deixar alguns dos 7 gatos passarem

A ilustração parece mostrar apenas um jardim cheio de detalhes: uma árvore carregada de folhas,…

2 dias ago

Uma desconhecida apareceu no cemitério com um envelope e mudou o que ela sabia sobre a filha

Durante dez anos, Elizabeth criou o neto sem saber explicar uma das perguntas que ele…

2 dias ago

Desafio visual: O guarda-chuva não está onde você provavelmente procuraria nesta livraria cheia de detalhes

A ilustração de uma antiga livraria parece comum nos primeiros segundos. Livros ocupam quase todos…

2 dias ago

Mary Ann Bevan aceitou ser exibida em público, e o motivo tinha relação direta com seus quatro filhos

Durante boa parte do fim do século XIX e do início do século XX, pessoas…

5 dias ago

Algumas das fotos mais interessantes de Diana não são as mais famosas e contam outra parte da história

Poucas figuras públicas foram fotografadas com tanta frequência quanto a princesa Diana, né? Durante os…

5 dias ago