Marcel Camargo

Gente chata é como unha encravada: só alivia quando a gente corta

Não é fácil viver em sociedade, uma vez que somos obrigados a ter que conviver com pessoas que não nos agradam nem um pouco, com gente falsa, mal-humorada, mentirosa, agressiva, ninguém merece. É assim mesmo, afinal, muito provavelmente também seremos desagradáveis para muitos, que suportarão a nossa presença por conta das situações que se lhes obrigarão.

Não estaremos livres de encontrar indivíduos com quem não teremos a mínima simpatia, seja na família, na escola, no ambiente de trabalho, seja na roda de amigos. Não dá para explicar muito bem o porquê de gostarmos tanto de algumas pessoas e as razões da nossa antipatia por outros, embora existam aquelas que simplesmente pedem, suplicam, para serem desprezadas, de tão desagradáveis que são.

Quem não conhece alguém que diz que você engordou ou envelheceu, que faz piadas idiotas com alguma característica sua, que diz o que não deve onde jamais poderia, que fala mal de quem não está presente, enfim, alguém chato pra caramba? São aqueles indivíduos que espalham qualquer roda em que aparecem, que todos evitam convidá-los para qualquer evento, que pesam todo e qualquer ambiente que adentram.

O interessante é que, não raro, muitas pessoas que, de início, não nos causam uma boa impressão, com o tempo, após a convivência, passam a ser agradáveis para nós. Isso porque somente o dia-a-dia é que realmente mostra, com propriedade, quem é quem. Da mesma forma, muitos indivíduos acabam por se revelar o oposto do que imaginávamos, pois nenhuma máscara resiste à passagem do tempo – felizmente.

Devemos, ainda, atentar para o fato de que, em alguns casos, nossa antipatia pelo outro advém do fato de enxergarmos nele algum comportamento que também possuímos e não nos agrada, ou seja, é como se o outro fosse espelho de algo em nós mesmos de que não gostamos. E mais, como ninguém está livre de invejar alguém, deveremos tomar cuidado para que não estejamos invejando a pessoa e usando a antipatia por ela como defesa própria.

Mesmo assim, quando já tivermos analisado e ponderado todas as possibilidades de convivência harmônica com alguém e não tivermos conseguido mudar nossa opinião sobre ele, nem com a ajuda da passagem do tempo, é sinal de que ele sempre será um chato para nós. Nesses casos, o melhor a fazer é cortar de nossa vida quem a torna menos agradável, evitando contatos, a não ser os estritamente necessários. Tem gente que não muda, mesmo quando fica muda. Delete, releve, abstraia e finja surdez.

Vida que segue, e bem longe de gente chata.

Imagem de capa: AstroStar, Shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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