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Garis que tiveram água e banheiro negados em Santa Catarina revelam humilhação a que passaram

A rotina de varrição em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, ganhou um assunto que muita gente prefere fingir que não existe: quando uma trabalhadora da limpeza urbana pede o básico — banheiro e água em dia quente — e recebe um “não” atravessado.

A partir de um episódio desses, um grupo de garis decidiu transformar constrangimento em atitude pública, e a cidade começou a ver cartazes em comércios avisando que elas podem entrar, beber água e usar o banheiro sem precisar se explicar.

A história que puxou essa mobilização veio de Dejanira dos Santos. Em um dia de trabalho sob calor forte, ela procurou um banheiro em um estabelecimento e ouviu que estava “interditado”.

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Na sequência, pediu água e foi informada de que gelada não tinha; ofereceram água da torneira. O problema não foi só a água em si, mas o recado implícito: “você não é bem-vinda aqui”.

Dejanira descreveu a situação como algo que encolhe a gente por dentro. Ela contou que voltou a morar em Chapecó havia poucos meses — a cidade onde nasceu — e não esperava passar por esse tipo de tratamento justamente enquanto fazia um serviço que mantém ruas e espaços públicos em condição de uso para todo mundo.

Quem ouviu o relato de perto foi a colega Ingrid Rodrigues. Ela disse que percebeu o quanto Dejanira ficou abalada e que a sensação foi de humilhação, não de “incômodo passageiro”.

Ingrid também afirmou que já viveu situações parecidas, só que, muitas vezes, isso acaba sendo engolido como se fosse “normal do trabalho” — e foi aí que ela decidiu que não dava para continuar desse jeito.

A ideia que Ingrid levou adiante foi simples e direta: incentivar lojas, lanchonetes e outros pontos comerciais a deixarem claro, com aviso visível, que garis podem usar o banheiro e ter acesso a água potável.

A proposta pegou rápido entre as próprias trabalhadoras e chegou a comerciantes que resolveram apoiar sem rodeio.

Um dos primeiros a dar visibilidade foi Fábio Braga, dono de uma hamburgueria na cidade. Ele contou que, ao saber do caso, decidiu colocar um cartaz na entrada reforçando que aquele espaço recebe as profissionais da limpeza urbana com respeito.

Além do aviso físico, ele divulgou a iniciativa nas redes sociais do próprio negócio — e, em poucas horas, outros estabelecimentos começaram a replicar a mensagem e aderir por conta própria.

A adesão foi se espalhando por diferentes pontos de Chapecó. Em algumas ruas, a decisão de um comércio virou empurrão para os vizinhos fazerem o mesmo, criando uma espécie de “corredor de acolhimento” em áreas de circulação intensa, onde as equipes passam todos os dias.

O debate também chegou à Câmara de Vereadores. O vereador Cleiton Cesar Agnoletto (Progressistas) afirmou que presenciou uma situação em que uma gari teve água e banheiro negados por um comerciante e disse que aquilo o deixou indignado.

Segundo ele, o local vendia água, a trabalhadora respondeu apenas um “tá bom” e saiu; ele então comprou águas e alimentos e entregou para as garis, enquanto o empresário ficou sem reação.

Com a repercussão da mobilização das trabalhadoras, o vereador protocolou um projeto de lei criando o Programa Municipal “Chapecó Limpa e Humanizada”, voltado à valorização e à dignidade dos profissionais da limpeza urbana e do manejo de resíduos.

O texto também prevê ações educativas ligadas ao tema ambiental e aponta diretrizes para melhorar condições de trabalho em futuros contratos de limpeza urbana.

A proposta ainda inclui uma campanha chamada “Aqui o gari é Bem-vindo”, com participação voluntária do comércio.

De acordo com o parlamentar, a adesão não cria obrigação legal nem punição para quem não participar, e o município poderá oferecer um selo ou identificação visual oficial para os estabelecimentos parceiros.

O projeto foi apresentado em 12 de fevereiro e segue em análise nas comissões, com expectativa de ir à primeira votação na semana seguinte.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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