Foi o tempo que dedicaste! Uma carta sobre o tempo e uma amizade

Imagem de capa:  Elena Shkerdina/shutterstock

Outro dia eu te observava outra vez aguar as plantas e tu reclamaste, frustrado:”Elas demoram tanto para crescer!”

Pois é, meu querido amigo, as árvores crescem muito lentamente; as flores, às vezes, demoram para florescer; nós demoramos para amadurecer, tomamos muito tempo para entender certas situações, tardamos para descobrir como lidar com as pessoas, e assim por diante. Tudo é um processo com um consequente desprendimento de tempo – essa moeda de troca tão valiosa.

A Raposa tenta explicar isso no Pequeno Príncipe: “Foi o tempo que dedicaste a tua rosa que a fez tão importante”. Foi o tempo que dedicaste às tuas plantinhas que as fez tão importantes, amigo. Foram aquelas várias temporadas de trabalho e estudo árduos que te deram o conhecimento e sabedoria que tens hoje. Foram as semanas que dedicaste à exploração do mundo e de você mesmo que o fizeram amadurecer. São os dias que tu tens gastado caminhando por essa estrada tão sinuosa que vão fazer com que o ponto de chegada seja tão bonito.

Na amizade, esse processo é via de mão dupla, tem um efeito tanto verso quanto inverso, se é que tu me entendes. Foram todas as horas, minutos e segundos que dedicamos à nossa amizade que a fizeram tão importante para mim, para você.

Agora, imagine se o tempo não fosse personagem nessa peça. Nada valorizaríamos. Não precisaríamos optar entre esse ou aquele sentido de vida, não precisaríamos escolher entre um caminho ou outro, esta ou aquela pessoa, nada perderíamos, tudo seria opção e, assim sendo, nada teria real valor. Morreríamos por dentro, não achas?

Nesse sentido, a vida é comerciante, caro amigo, pois sempre nos cobra algo em troca de amor, felicidade, aprendizado, crescimento. A diferença é que, em vez de dinheiro, pede-nos nosso tempo. Obrigada por me ceder teu tempo (moeda tão preciosa).

Mísia Morais

Paraibana (Campinense) estudante de Psicologia que tem a cabeça nas nuvens, pés no chão e um fraco por causas perdidas.

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