ARTE E ENTRETENIMENTO

Filme com Brad Pitt e Cate Blanchett que recebeu 7 indicações ao Oscar é uma das joias da coroa da Netflix

Lançado em 2006, Babel é um drama dirigido por Alejandro González Iñárritu e roteirizado por Guillermo Arriaga. O filme fecha a chamada “trilogia da morte” do diretor, iniciada com Amores Brutos (2000) e 21 Gramas (2003). Com uma narrativa fragmentada e interligada por pequenos detalhes, Babel explora os efeitos de uma tragédia que reverbera em diferentes partes do mundo, expondo as falhas na comunicação humana e o peso das diferenças culturais.

A trama se estende em quatro países distintos: Marrocos, Estados Unidos, México e Japão. Tudo começa quando um tiro acidental disparado por dois garotos marroquinos fazem uma turista americana (Cate Blanchett), que viajava com o marido (Brad Pitt). O incidente desencadeia uma série de eventos que afetaram uma babá mexicana (Adriana Barraza) e sua tentativa desesperada de voltar aos EUA após um casamento, e também uma jovem surda-muda japonesa (Rinko Kikuchi) lidando com a solidão e a incompreensão do mundo ao seu redor.

O grande mérito do filme é na maneira como desenvolver tensão e empatia, sem recorrer a vilões ou heróis óbvios. Cada personagem é moldado por suas limitações e vulnerabilidades, reforçando a ideia de que o maior obstáculo entre as pessoas não é a distância geográfica, mas a incapacidade de se entenderem. O roteiro fragmentado, aliado à montagem dinâmica, reforça o caráter caótico da comunicação entre diferentes culturas, evocando a metáfora bíblica da Torre de Babel.

A direção de Iñárritu é precisa, utilizando planos longos e próximos intensos para capturar a angústia de seus personagens. A cinematografia de Rodrigo Prieto se destaca ao contrastar paisagens áridas e vibrantes com espaços urbanos frios e solitários. A trilha sonora minimalista de Gustavo Santaolalla contribui para a atmosfera melancólica da obra.

Com atuações poderosas, especialmente de Rinko Kikuchi e Adriana Barraza, Babel é um filme denso e angustiante, que reflete sobre a desconexão no mundo globalizado. Embora sua estrutura narrativa possa parecer limitada para alguns, a obra permanece como um retrato impactante da fragilidade humana diante das barreiras culturais, sociais e emocionais.

 

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