Ela amou inteira. Ele não conseguiu amar metade. E despediram-se em vários tons. Nem todos felizes e esperançosos. Há quem diga que não era pra ser. Outros não entenderam o que aconteceu. Uma coisa é certa, mesmo em doses desmedidas, é sempre o amor que prevalece. O tipo de amor que precisa vir primeiro antes de ser distribuído para outra pessoa. Ainda que seja encerrado com um adeus.
Distraídos, não podemos dar vazão para nenhum sentimento vivido por dois. A ideia do término de um relacionamento quase sempre está atrelada a uma suposta carência do amar. Julgamos imaturos quem veio e não quis ficar. Insistimos numa busca sucessiva por alguém que nos complete e nos queira como merecemos. Não estamos errados. Não nos permitimos estar. Talvez esse seja o problema.
Quando temos a sorte do encontro, somos seduzidos pelas expectativas. Afinal, a paixão desencadeada é certeira, quente e insaciável. Daí por diante é querer acima de qualquer razão. E é exatamente nesse ponto em desequilíbrio que chocamos com a realidade. Ninguém, em amor algum, precisa demonstrar. Porque carinhos não devem ter comandos, sorrisos não precisam ter piadas prontas e gentilezas não ocorrem através de roteiros comprados.
Nada de atirarmos sofrimentos para depois recolhermos mudanças. Devemos aceitar diferentes escolhas. Alguns amores partem e alguns permanecem. De qualquer forma, é sempre amor, mesmo que acabe. Quem sabe, por disposição ou liberdade, você resolva amar.
Fotografia por Phil Chester e Sara K. Byrne
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