A vida quase que se resume a uma infinidade de cobranças feitas pelos outros sobre o que estamos fazendo de nossas vidas, muitas vezes partindo de pessoas que mal fazem parte de nosso convívio. Somos questionados quanto ao namoro, ao noivado, ao casamento, aos filhos, aos estudos, e por aí vai.

Enquanto amadurecemos e estamos em processo de formação, é comum e saudável sermos cobrados por nossos pais, professores, porém, chega uma época na vida de todos em que já somos gente feita e crescida o suficiente para determinarmos o que e com quem seguiremos nossa jornada. Chegada a hora, é preciso romper com a dependência do outro e assumir as escolhas próprias e intransferíveis.

Devemos satisfações a quem nos sustenta, nos emprega, a quem divide a nossa cama, caso ainda não consigamos nos tornar independentes e autônomos, seja na esfera familiar, na profissional, ou sentimental. Não somos uma ilha e nossas atitudes sempre se estenderão às vidas que caminham conosco. Porém, há limites claros entre o que é pessoal e o que é coletivo.

Quando resolvemos atrelar nossas vidas às de outras pessoas, optando por constituir família, por fazer sociedade em algum empreendimento, qualquer coisa que nos aproxime intimamente de alguém, então teremos que pautar nossas ações por ponderações que levem o outro em consideração. Porém, quando buscamos ser felizes de acordo com sonhos pessoais, caso não atropelemos ninguém pelo caminho, é necessário que tentemos sempre viver nossas verdades.

Sem que estejamos convictos do que somos e de tudo o que queremos, não conseguiremos partir ao encontro de alguém que nos respeite e nos ame por tudo aquilo que é tão nosso. Somente estaremos prontos para dividir nossas vidas quando conseguirmos realmente viver o que somos, quando estivermos caminhando em compasso harmônico com os sonhos que estruturam os nossos sentidos, pois sem um eu verdadeiro, o outro não chega em sua completude.

Não acredita em amor eterno? Não se case. Nem se imagina como mãe? Não tenha filhos. Tem aversão à falta de liberdade? Não aceite empregos formais. Está de bem com o espelho? Coma sem culpa. Vá ser feliz do seu jeito, mas sem machucar ninguém pelo caminho, afinal, lá na frente, enfrentaremos a nós mesmos quando tivermos de prestar as contas da vida. Porque é assim que temos de ser e é assim que as coisas têm que acontecer.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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