Corações inóspitos

Não são propriamente indiferentes, não são obviamente insensíveis, não estão em condição de superioridade ou imunidade. Também se abalam, sofrem, murcham, vivem a perseguição implacável do vazio de amor.

Corações inóspitos são os que, embora queiram e precisem do companheirismo das relações do mundo, são totalmente inábeis, não possuem a capacidade de manter um ambiente amistoso, recuam e acuam sem a menor explicação nem cerimônia.

Ai de quem se encanta por um coração inóspito. Se de primeira pode parecer apenas uma reserva ou timidez, quando a coisa fica visível, a aspereza já fez seu estrago.

E nessa hora não se sabe pelo que mais se lamenta. Se pela decepção de um julgamento inocente ou se pelo pobre e miserável coração, que não economiza defesas para manter longe quem o quer bem.

E sem ilusões de que esses corações não amam. Amam e sofrem de amor. Todo mundo ama, até mesmo os brutos, os rudes, os inóspitos!

Mas, para tristeza deles e desilusão de quem os deseja, não conseguem manter por perto os seus afetos. Sofrem e fazem sofrer.
Não confiam, não relaxam, não compartilham momentos, experiências, medos, dúvidas. São desconfiados porque conhecem suas naturezas traiçoeiras.

Corações inóspitos são casas inabitáveis. São fachadas tantas vezes lindas, modernas, atraentes, mas que guardam um interior sombrio, gelado, insalubre.

Corações inóspitos podem parecer simpáticos, divertidos, interessados e interessantes. Mas, passada a primeira e ilusória impressão, se apresentam formalmente e se revelam então, nada hospitaleiros.

De verdade, é uma dureza e uma rudeza conviver com eles, mas sempre pinga um na família, no grupo de amigos ou nos ambientes de trabalho. Bom para quem se blinda logo na partida e não exige o que não conseguem dar.

Inóspitos como pântanos, lhes resta a consciência do que são e como afetam outros corações, e, quem sabe – e não devemos jamais fazer condenações eternas – a vontade de mudar e deixar brotar vida onde nada havia.

Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

Recent Posts

Você sente um vazio estranho mesmo quando ‘está tudo bem’? Psicóloga explica o motivo e como pedir ajuda

Psicóloga faz alerta sobre o vazio que muitas mulheres sentem e não comentam

2 dias ago

Se seu parceiro diz essas 5 frases típicas, psicóloga alerta: o amor pode ter acabado

Psicóloga revela as 5 frases típicas ditas por quem não ama mais o parceiro

2 dias ago

Vai costuma ir ao salão de beleza? Atenção a esse perigo que quase ninguém comenta (e pode afetar seu fígado)

Milhares fazem isso no salão toda semana sem saber do risco MUITO grave envolvido

3 dias ago

Enterrar pets no jazigo da família? Nova lei em SP libera; veja quem pode e quando chega a outros estados

Agora é lei em SP: pets poderão ser enterrados no jazigo da família; entenda as…

3 dias ago

Psicóloga Josie Conti explica: o que quase ninguém fala sobre começar psicoterapia

Existe um momento silencioso, pouco comentado, em que uma pessoa percebe que talvez não consiga…

3 dias ago