No último sábado (6), as redes sociais foram tomadas por inúmeras homenagens a Marília Mendonça, que faleceu na tarde de sexta-feira (5) em consequência de um trágico acidente aéreo. Contudo, uma polêmica também ganhou espaço entre os assuntos mais comentados pelos fãs da ‘rainha da sofrência: o obituário da cantora, escrito pelo colunista Gustavo Alonso, publicado no jornal Folha de São Paulo. Muitos apontaram que o texto dá um tratamento machista e preconceituso à trajetória da cantora mais ouvida do país.

“(…) Nunca foi uma excelente cantora. Seu visual também não era dos mais atraentes para o mercado da música sertaneja, então habituado com pouquíssimas mulheres de sucesso. (…)Marília Mendonça era gordinha e brigava com a balança. Mais recentemente, durante a quarentena, vinha fazendo um regime radical que tinha surpreendido a muitos. Ela se tornava também bela para o mercado. Mas definitivamente não foi isso que o Brasil viu nela”, diz o trecho mais criticado do texto do colunista.

Diante da repercussão negativa do caso, a Folha de São Paulo passou a divulgar em suas redes sociais diversos textos escritos por jornalistas mulheres, nos quais o obituário escrito por Alonso é criticado.

“Se a intenção era dizer que Marília Mendonça superou barreiras da indústria fonográfica, havia muitos outros exemplos e formas de fazer isso que não por meio de um cacoete gordofóbico. Recorrer a um eufemismo há muito entendido como ofensivo para se referir a um corpo gordo —”gordinha”— para depois dizer que isso não importou aos olhos do público não torna a afirmação menos grosseira. Era um obituário, afinal, e é difícil acreditar que essa observação apareceria se o personagem fosse um cantor.”, disse a jornalista Bianka Vieira.

“O autor pode ter acreditado que apenas resumia uma impressão coletiva. Fiquei incomodada porque é uma visão preguiçosa sobre o que tem acontecido na sociedade, na qual Marília Mendonça se mostrou uma das maiores representantes de sua geração. Mas talvez o jornalismo não esteja preparado para isso. Não é exagero dizer que a maioria das mulheres no meio artístico ainda se ajoelha ao que talvez ainda considere exigência da profissão. O sucesso viria se o combo “magra e jovem” fosse servido já no começo da carreira. Marília entregou logo de cara o seu talento e sua personalidade única para estremecer um mercado masculino e homogêneo, sem estar embalada no que os outros achavam ser ideal.”, pontuou a jornalista Mariliz Pereira Jorge.

Personagem central na polêmica, o colunista Gustavo Alonso usou suas redes sociais para se esquivar das críticas e para promover seu trabalho. Em um post feito na noite de ontem, recomendou um livro seu “Para quem gosta de patrulha ideológica”, em suas palavras. Ele disse ainda que o livro foi publicado em 2011, “MUITO ANTES dessa onda de cancelamentos bobos e simplistas!”.

Em um post feito logo em seguida, divulgou mais um livro seu, sugerindo a leitura “a todos que amam o Brasil!”. Por último, comemorou sua participação em uma live no Youtube, em que se dispôs a falar sobre a carreira de Marília Mendonça.

Fãs da cantora goiana se incomodaram com a postura de Alonso diante da polêmica e deixaram muitos comentários no último post do colunista. “Você deveria ter vergonha, depois de tudo que escreveu sobre a Marília Mendonça e ainda foi falar dela. Sem noção nenhuma!!!”, escreveu uma internauta. “Não basta ser medíocre, ainda por cima é debochado.”, escreveu outra.

As críticas também se estenderam ao Jornal Folha de São Paulo, que até a publicação desta matéria não tinha se retratado sobre o ocorrido.

“E a retratação?? E o cara fazendo marketing em cima do espaço misogino que vocês deram pra ele? Comemorando o alcance da matéria? RETRATEM”, escreveu a ativista e influencer Alexandra Gurgel nos comentários do post que divulga o texto de Bianka Vieira no instagram da Folha.

“O texto dele continua no ar e é o segundo mais lido do site. Postar textos de mulheres criticando LINDAMENTE a atitude do jornalista e da Folha de publicar aquilo, ótimo. Mas a retratação vem? Ou vão deixar ele ganhar fama no alcance misógino que vocês continuam dando? Retratação tem que vir do Jornal! (…)Fora que vcs tão botando na conta das minas jornalistas de se retratarem por um jornal INTEIRO”, pontuou Gurgel em dois comentários logo em seguida.

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Redação Conti Outra
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