Morar fora do país costuma ser associado a conquista, coragem e crescimento pessoal. Ainda assim, muitos brasileiros que vivem no exterior experimentam um sofrimento emocional silencioso, difícil de explicar para quem ficou e, muitas vezes, até para si mesmos. A vida segue, há trabalho, adaptação cultural, novos contatos — mas algo internamente começa a pesar.
Este artigo propõe compreender esse sofrimento a partir de uma leitura psicodinâmica, considerando a migração como uma experiência emocional profunda, capaz de reativar conflitos antigos. Nesse percurso, o EMDR aparece não como solução mágica, mas como um recurso clínico possível dentro de um trabalho psicoterapêutico cuidadoso.
Mudar de país não é apenas atravessar fronteiras geográficas. É atravessar perdas simbólicas importantes: língua, referências culturais, laços familiares, sensação de pertencimento. Mesmo quando a mudança é desejada, algo precisa ser deixado para trás.
Do ponto de vista psicodinâmico, a migração pode funcionar como um acontecimento organizador, capaz de reativar experiências emocionais precoces ligadas a separação, abandono, desamparo ou exigências excessivas de adaptação.
Não é raro que brasileiros no exterior relatem:
Essas vivências não indicam fragilidade. Indicam que algo da história emocional do sujeito foi tocado.
Um ponto central é compreender que, muitas vezes, o sofrimento não é causado pela vida no exterior, mas reativado por ela. A mudança de país pode enfraquecer defesas psíquicas que antes funcionavam bem no contexto familiar e cultural de origem.
A exigência constante de adaptação, o uso de outra língua e a solidão cotidiana reduzem os recursos psíquicos disponíveis para manter certos conflitos afastados da consciência. O que antes estava silenciado pode emergir.
Segundo a psicóloga Josie Conti, que atende brasileiros no exterior:
“Morar fora frequentemente reativa vivências antigas de desamparo e inadequação. O sofrimento não surge do nada — ele encontra um cenário propício para se manifestar.”
Na clínica, alguns temas aparecem de forma recorrente:
Esses sofrimentos, quando não elaborados, podem se cristalizar em estados de ansiedade persistente, vazio emocional ou bloqueios na vida atual.
O EMDR é uma abordagem terapêutica originalmente desenvolvida para o tratamento de traumas, mas que, ao longo do tempo, passou a ser utilizada também em situações de sofrimento emocional ligado a experiências marcantes não elaboradas.
De forma simples, o EMDR busca ajudar o psiquismo a processar experiências que ficaram registradas de maneira disfuncional, fazendo com que elas deixem de ser vividas como algo atual e ameaçador.
É importante frisar: o EMDR não substitui a psicoterapia, nem funciona isoladamente. Ele pode ser integrado a um trabalho psicodinâmico mais amplo, respeitando o tempo e a singularidade de cada pessoa.
Em alguns casos, a experiência migratória reativa lembranças ou sensações corporais ligadas a episódios antigos de:
Nessas situações, o EMDR pode auxiliar o paciente a diferenciar passado e presente, reduzindo a carga emocional associada a essas memórias.
Josie Conti observa:
“O EMDR pode ser útil quando o sofrimento atual está claramente conectado a experiências anteriores que retornam com força no contexto migratório.”
Ainda assim, o critério clínico é fundamental. Nem todo sofrimento pede EMDR. Em muitos casos, o trabalho principal é de simbolização, elaboração e construção de sentido.
A psicoterapia online ampliou o acesso de brasileiros no exterior a atendimentos em sua língua materna, o que é um fator emocionalmente relevante. Poder falar em português sobre dores profundas muitas vezes facilita o contato com conteúdos psíquicos sensíveis.
Quando indicada, a integração do EMDR ao atendimento online exige cuidados técnicos e éticos, avaliação clínica criteriosa e vínculo terapêutico estabelecido.
O sofrimento emocional de brasileiros no exterior não é sinal de fraqueza nem ingratidão pela vida escolhida. Ele é, muitas vezes, expressão de conflitos antigos que encontram na migração um terreno fértil para se manifestar.
A psicoterapia, com base psicodinâmica, oferece um espaço para compreender esse sofrimento em profundidade. O EMDR pode ser um recurso valioso em alguns casos, desde que integrado a um trabalho clínico sério e singular.
Se morar fora despertou dores difíceis de nomear, talvez não seja um retrocesso. Talvez seja uma oportunidade de escuta e elaboração.
Se esse vazio tem te acompanhado e você sente que está na hora de se ouvir com mais carinho (e sem julgamento), você pode conversar com a psicóloga Josie Conti agora mesmo — de um jeito honesto e sem compromisso. Toque aqui para chamá-la no WhatsApp.
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