Fotos: Arquivo pessoal
Brasileiros que trabalham na Europa relatam uma rotina de trabalho mais leve e com maior qualidade de vida. Essa experiência contrasta com a realidade no Brasil, onde ainda se discute a redução da carga horária semanal.
João Rafael de Almeida Carraro, supervisor de um call center em Edimburgo, Escócia, mudou-se para o país há sete anos e percebeu uma diferença significativa na forma como o trabalho é encarado. “As pessoas têm menos essa gana de ‘eu quero fazer tudo certinho, eu quero ter certeza disso’. Elas são muito mais tranquilas com relação ao trabalho, e isso acaba sendo muito mais fácil. Você trabalha de uma forma mais leve”, explica em uma entrevista ao Terra.
Na Escócia, a jornada semanal varia entre 37 e 40 horas, e há um teto legal de 48 horas semanais. Desde 2021, o país testa a semana de quatro dias de trabalho, o que já foi adotado por algumas empresas. Embora não exista um sistema equivalente à CLT brasileira, João Rafael destaca a importância dos contratos de trabalho. “O que você combina com o empregador, é o que será feito”.
Ele também notou como a organização das folgas impacta positivamente. “A gente tem uma média de seis semanas de férias por ano. Foi um choque inicial. Na primeira entrevista, eles perguntavam: ‘Você tem férias já programadas?’”, relata. Os dias de folga são aproveitados para viajar, curtir a família ou descansar. “Isso compensa bem mais do que altos salários que exigem muito trabalho e pouco tempo para curtir”, reflete.
Caio Vinícius da Silva, chefe de bar na Cidade do Porto, Portugal, há seis anos, também elogia o sistema europeu. Natural de Guarujá (SP), ele trabalhava em hotelaria no Brasil, com uma escala 6×1. Hoje, com a escala 5×2, ele diz ter mais tempo para a família e desenvolvimento pessoal. “Consigo pegar minha filha na creche, estudar dentro da minha área de trabalho e curtir com minha esposa. Essa rotina mais tranquila permite uma qualidade de vida melhor.”
Em Portugal, a jornada completa é de até 40 horas semanais, podendo ser ajustada para trabalho parcial ou turnos variados, sempre acordados com a empresa. “Praticamente 90% dos lugares que conheço são 5×2. Minhas folgas são semanais, quartas e quintas-feiras”, afirma Caio. Ele também ressalta a facilidade de negociar mudanças. “Quando tenho necessidade de folgar em um domingo, consigo avisar com antecedência. É sempre muito acessível.”
No Brasil, a carga horária de 44 horas semanais ainda é a norma. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) busca reduzir para 36 horas, acabando com a escala 6×1, mas enfrenta desafios. Segundo Caio, a adoção do modelo 5×2 seria positiva se não houvesse impacto no salário. “Você tem uma qualidade de vida, consegue acompanhar os filhos, fazer um upgrade na carreira, descansar e passear. Mas, se for prejudicar o trabalhador, acho que não vale muito a pena.”
Enquanto isso, João Rafael reforça a importância de um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. “No final das contas, não vale a pena dedicar toda sua vida ao trabalho sem aproveitar nada. Na Escócia, mesmo em dias estressantes, é tudo mais leve”, conclui.
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