Ivonete Rosa

A autoestima adoecida e as doenças emocionais costumam caminhar juntas.

Uma autoestima adoecida é um verdadeiro imã para atrair os mais variados sentimentos destrutivos e ameaçadores para a nossa saúde emocional.

Olhar para a própria vida e não sentir orgulho da pessoa que é, olhar para a própria história e ter a sensação de não ter construído nada de interessante, olhar-se no espelho e não gostar da imagem que vê. Essas são algumas das percepções de alguém com a autoestima fragilizada.

Ao constatar que a vida não está sendo significativa, a pessoa tende a experimentar um sentimento de vazio existencial ameaçador para a própria saúde emocional. O sentimento de apenas existir, sem vivenciar as sensações prazerosas de construir vínculos relacionais satisfatórios, de realizar uma atividade que o deixe entusiasmado ou mesmo de nutrir algum sonho são fatores que podem levar o indivíduo à depressão.

Nosso organismo precisa de endorfina, o hormônio do bem estar, para, dentre outros ações, melhorar o nosso sistema imunológico. Para se ter uma ideia, existem casos em que uma pessoa diagnosticada com depressão é curada e abandona a medicação pelo simples fato de iniciar uma atividade prazerosa, como por exemplo, dançar ou mesmo criar um animal de estimação.

Vale lembrar que nem sempre aquela atividade que nos rende mais dinheiro é a que mais nos proporciona prazer em realizá-la, é possível que um hobby ou um trabalho voluntário cumpram esse papel de fornecer a dose de endorfina que o nosso organismo necessita.
Costumamos vincular, equivocadamente, a ideia de pessoa próspera à pessoa feliz, e isso nem sempre “casa”. Ter uma vida confortável do ponto de vista material e financeiro não garante, necessariamente, uma vida feliz, visto que muitas pessoas reduzem as suas vidas em trabalhar, produzir e correr atrás de dinheiro.

A alegria e o entusiasmo não tem, necessariamente, vínculo com ter coisas ou status, mas, sim, com fazer aquilo que realmente que gosta. Fica claro que, dedicar o nosso tempo, ainda que seja uma parte dele, em algo que nos desliga da obrigatoriedade e nos conecta ao lúdico, torna-se imprescindível, olhando pela perspectiva da nossa saúde mental e da qualidade de vida. Investir em atividades que nos alegram é um investimento em nossa saúde e longevidade, nos distanciando cada vez mais das doenças emocionais, como a depressão.

Quando estamos focados em algo que nos alegra, pouco nos importamos com picuinhas, por mais que apareçam situações para nos aborrecer, elas não ganham a nossa atenção, afinal, estamos sintonizados com o sentimento de plenitude que, só aqueles que tem a graça de fazer algo que ama pode entender.

Em contrapartida, quando uma pessoa está “desnutrida” de endorfina, quando ela está amargurada, ela torna-se extremamente vulnerável aos ataques externos, uma simples fofoca poderá desencadear uma melancolia de semanas e um ressentimento que perdura por anos. Um ego triste não possui imunidade para discernir aquilo que merece atenção daquilo que merece total indiferença.

Diante disso, para uma pessoa com a autoestima debilitada, qualquer acontecimento desagradável, ainda que insignificante, ganha uma interpretação dramática e caótica.
Daí, a grande vulnerabilidade em adoecer, pois a mente já perdeu a capacidade de filtrar os acontecimentos que merecem atenção, dessa forma, tudo o que vier será olhado com uma espécie de lente de aumento.

Que cada pessoa possa pensar sobre essa questão, compreendendo que, viver de forma satisfatória é algo muito além de apenas existir. Uma forma de prevenir doenças é descobrir uma atividade apaixonante e dedicar-se à ela.

Imagem de capa: Julija Erofeeva/shutterstock

Ivonete Rosa

Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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