Relacionamentos são inegavelmente um presente, já que permitem trocas de experiências, compartilhamento de sonhos e planejamento a dois. O problema é que, esse presente, está cada vez mais raro e, aos poucos, o molde de “felizes para sempre” está sendo substituído por “quem pode mais, chora menos”.
Bauman já nos ensinava, em seu livro Amor Líquido, que vivemos tempos em que nada foi feito para durar e a consequência dessas relações superficiais é uma solidão sem tamanho: “a solidão produz insegurança — mas o relacionamento não parece fazer outra coisa. Numa relação, você pode sentir-se tão inseguro quanto sem ela, ou até pior. Só mudam os nomes que você dá à ansiedade”.
É da natureza humana: antes de entrar em um relacionamento precisamos sentir a segurança que o outro nos oferece. O problema está em supervalorizar a conquista e esquecer que a relação se consolida nas atitudes das pessoas dispostas e não no marasmo dos acomodados.
Eu sei que te ensinaram a agir com frieza: despreze, desinteresse-se e ignore, já que, na teoria, essas atitudes podem fazer o outro se apaixonar. Caso você tenha 15 anos e acredite em príncipes encantados, isso pode funcionar mesmo. Caso contrário, sem atitude e disposição nenhum amor pode dar certo.
É bonito fazer charme, mas é lindo ter atitude. Pessoas com atitudes são pessoas maduras sentimentalmente que sabem quando agir e respeitam o tempo alheio. São pessoas que não insistem, não forçam e entregam- se de forma comedida na relação. Drummond dizia que” falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos”.
Quando o assunto é relacionamento, sinceramente, não sei o motivo que leva uma pessoa a fazer jogo duro. Acredito que seja para avaliar os sentimentos alheios ou para comprovar a veracidade do amor revelado, mas a verdade é que todo excesso é ruim e que há uma linha tênue entre ser difícil e ser impossível!
Pondere suas atitudes, analise as situações e veja se esse charminho todo vale, realmente, a pena. Lembre-se que ausência promovida é uma faca de dois gumes: por um lado gera saudade, por outro, esquecimento.
Imagem de capa: Sjale/shutterstock
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