Ele era mais novo, mas ela tinha menos cabelos brancos. Ele tinha tido mais relacionamentos, mas ela tinha apanhado mais. Ele deixava quase tudo pra última hora, ela nem dormia preocupada com seus compromissos. Ele esperava, ela fazia acontecer. Ele não tinha o sonho de casar, ela já tinha realizado e já sabia que nem sempre era mesmo um sonho.

Certo dia, o pai dele disse: “Minha nora, espero que você não o faça sofrer”. Surpresa, ela respondeu: “Se eu puder ajudá-lo a não pisar em todas as armadilhas que já pisei, farei isso com amor”.

Quando dormiam a noite, o pé dele encaixava perfeitamente no tornozelo dela. Quando raramente discutiam, um deles sempre tinha um ponto de vista para ensinar ao outro. Se respeitavam apesar das diferenças; aliás o respeito era o que tornava a relação tão bonita.

Ela era apaixonada e fazia surpresas, ele era fechado e suas atitudes demonstravam que o sentimento era recíproco e verdadeiro. Se encontravam obstáculos, a energia dele se somava à sabedoria dela e os problemas se tornavam pequenos. Se tinham ciúmes, faziam piada, conversavam a respeito e seguiam em frente. Eram gratos um pelo outro e pela leveza com a qual encaravam a vida.

Tinham defeitos, mas quem não os tem? Haviam entendido que amor genuíno é aquele sentimento por alguém cujas qualidades você admira e cujos defeitos você pode conviver. Já tinham visto algumas coisas por ai, e sabiam da sorte que tinham por terem encontrado um ao outro.

Certo dia, decidiram se mudar de país. Apesar da diferença de idade, eram jovens o suficiente para errar. E erraram. Sofreram juntos, entenderam juntos que a grama do vizinho era sempre mais verde, mas às vezes era porque era artificial. Eles poderiam ter se dado as costas e procurado atalhos como todo mundo faz para lidar com as barras pesadas da vida, mas quando olharam no fundo dos olhos um do outro entenderam que o amor venceria até o mais escuro dos dias.

Juntos, mesmo tão opostos, apertaram-se as mãos e deram a volta por cima. Aos poucos, sorriram de novo e a vida lhes sorriu de volta com o maior presente que o universo poderia lhes dar: a serenidade de um amor tranquilo. Depois da tempestade, vem a calmaria. Depois do plantio, vem a colheita.

Ficaram meses confinados, planejando como poderiam ter uma vida melhor, até que era resolveu arregaçar as mangas e ir em busca de respostas. Resolveram juntos: ela procura uma saída enquanto ele os sustenta com uma vida confortável. Parceria – outra chave dos relacionamentos bem sucedidos. No fim do túnel, uma luz se acendeu. Era tão brilhante que era difícil de enxergar e de acreditar.

Eles não tinham escolhido errar. Tinham escolhido aprender juntos antes de que a vida os presenteasse com seu novo desafio. Depois de superarem todas as dificuldades, estavam prontos para receber com gratidão sua nova cidade. Seu país os chamava de volta, para que o sol os aquecesse o coração e, juntos, continuassem sua evolução. Haviam entendido o sentimento que havia no peito um pelo outro – o tal do amor verdadeiro – que os trouxe carinho e reflexão para enfrentar os dias bons e ruins que a vida os concederia.

E que seja eterno enquanto durar.

Imagem de capa: Mikhail_Kayl/shutterstock

Ana Carolina Faria Bortolo

Turismóloga e Administradora de Novos Negócios por formação. Escritora, pintora e dançarina por vocação. Planejadora de eventos, bartender, agente de viagens e vendedora por profissão. Garçonete de navio por opção. Vi o mundo e voltei, e de todos os rótulos que carrego na bagagem, só um me define bem: sou uma ótima contadora de histórias.

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Ana Carolina Faria Bortolo

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