Marcel Camargo

Amor Ágape: amor que se doa, amor que se entrega, amor incondicional

Não é fácil nos relacionarmos com o outro, seja em termos de amizade, de trabalho, seja em termos de amor. Parece que procuramos sempre um equilíbrio, uma troca justa, a igualdade entre o que vai e o que volta, e isso é muito relativo. Da mesma forma que podemos pensar que estamos sobrecarregados em relação ao parceiro, ele também pode muito bem achar o mesmo, ou seja, qual dos dois estará certo?

Na verdade, fato é que cada um sente o mundo de uma forma muito peculiar, de acordo com tudo o que já acumulou até aqui, dependendo da forma como digeriu ou não o que lhe ocorreu durante seu caminhar. E mais, as pessoas reagem de uma forma diferente umas das outras, isto é, um mesmo acontecimento influencia várias pessoas de maneiras diferentes – uns poderão demorar-se mais do que outros no processo de luto, por exemplo. Em termos de amor, é tudo ainda mais intenso e imprevisível.

Amor é sentimento, é alma, portanto, independe de razão, como se nos tomássemos por algo inexplicável, algo sobre o qual não temos nenhum controle. Embora se inicie com a paixão que cega e seleciona no outro somente o que ele traz de bom, com o tempo amadurece, aperfeiçoa-se, refina-se, para que possamos ter a capacidade de não nos afundar no que machuca e fere. Mesmo assim, como é penoso nos libertarmos do que amamos, mesmo que nem mais de amor se trate.

Amor gostoso e ideal é o recíproco, o correspondido, aquele que vai e volta na mesma medida, de igual para igual, somando completudes e fundindo inteirezas complementares, sem pendências, sem unilateralidade. Esse, sim, é o tipo de relacionamento desejável, em se tratando de duas pessoas que se amam como casal, como amigos, como parceiros de fato. Infelizmente, quase nunca é assim que se dá.

Entretanto, em certos momentos, será o amor incondicional – ágape, como dizem, uma das diversas palavras gregas para o amor – que nos salvará e nos bastará, quando pudermos doar o nosso melhor, quando pudermos ajudar pessoas, curar almas, solidarizar, compadecer e levar luz, sem pensar em retorno, sem titubear, com vontade e com verdade. Fazer o bem a quem quer que seja, de forma despretensiosa, leva-nos ao mergulho em dores que não são nossas, tornando-nos gratos pelo que somos e temos.

Passar os dias, sob o mesmo teto, com uma pessoa que só recebe, sem se doar de volta um mínimo que seja, acabará por nos adoecer, esgotando nossa essência. Já o amor que direcionamos para ajudar quem necessita, sem que precisemos de retorno algum, visto se tratar de solidariedade humana, sempre se nos retornará através dos sorrisos e bênçãos com que a vida beneficia quem não se fecha, quem enxerga o mundo além de si, fazendo a diferença por onde passar.

Imagem de capa: wavebreakmedia/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

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