Marcel Camargo

Ame por amor e não por medo de ficar só

“Primeiro, comece a se divertir sozinho. Primeiro, amar a si mesmo.” (Osho)

Talvez por vivermos em tempos de solidão acompanhada, nunca antes se refletiu tanto sobre a solidão, sobre estar sozinho, como se não pudéssemos bastar a nós mesmos curtindo a nossa própria companhia. Dentre as tantas cobranças que se nos impõem, estar em um relacionamento destaca-se com frequência.

Cada vez mais, a sociedade homogeniza-se, nas roupas, nos gostos, nas falas, tornando-nos cópias vazias uns dos outros, disputando um lugar no hall efêmero da fama instantânea que as redes sociais ofertam. Falas prontas, discursos politicamente corretos, vestimentas tipo uniformes, parece que nada mais pode fugir ao que se dita como o mais descolado, o mais aceitável, o mais do mesmo, somente isso.

A necessidade de ser aceito, infelizmente, ultrapassou todos os limites do bom senso, uma vez que, na ânsia de se integrar à maioria, cada vez mais as pessoas se distanciam da própria essência. E, nesse contexto, procura-se avidamente por um parceiro, porque é preciso estar namorando, é preciso ter um amor, é preciso querer uma vida a dois, segundo um bando de gente que nem se lembra da data de nosso aniversário.

É preciso, sim, aprender a ser feliz sozinho, a se divertir sem precisar de ninguém, a curtir a própria companhia, enfim, a gostar de si mesmo. É tão óbvio, mas vale sempre reforçar: quem não se ama jamais conseguirá amar alguém com a inteireza que este sentimento requer. Procurar no outro o que nos falta é inútil, porque ninguém irá nos oferecer o que deve sempre brotar de nosso próprio coração.

Quando estivermos seguros de nossas verdades, vivendo o que somos, com o que temos dentro de nós, sorriremos onde estivermos, não importando se acompanhados ou não. E o amor então virá e nos encontrará, porque será partilha, encontro, será verdadeiro. Porque estaremos prontos para receber nada menos do que merecemos, afinal, já estaremos completos e amaremos por amor, somente por amor.

Imagem de capa: Sofi photo/shutterstock

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar". É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.

Recent Posts

Higiene no equipamento desportivo: como lavar e eliminar odores dos sacos e mochilas de padel

Um saco de padel utilizado com regularidade acumula suor, humidade e resíduos de equipamento húmido…

2 dias ago

Esta resiliente atriz marcou os anos 2000, sumiu dos holofotes após tragédia pessoal e hoje quase ninguém reconhece

Nos anos 2000, ela se tornou conhecida do público britânico, principalmente por causa de sua…

2 dias ago

O ano era 1980, e essa música não saía do rádio… Marcou uma geração! Será que você ainda reconhece?

A batida começa e a memória entrega tudo… Essa música virou febre em 1980. Será…

2 dias ago

Há quase 50 anos esta música estourou nas rádios mas hoje quase ninguém lembra. Você reconhece?

Um hino que soa como uma porta de entrada para os anos 80: acelerada, sensual…

2 dias ago

Todos olham para a família, mas é a empregada ao fundo que guarda a grande história

Na foto de 1961, ela ficou atrás de todos — mas sua vida não ficou…

2 dias ago

Meu pai casou com minha tia 8 dias após a morte da mãe, mas o que descobri no altar deles mudou tudo…

No casamento do meu pai com minha tia, o filho dela me puxou de lado…

2 dias ago