Pamela Camocardi

Amar por dois é uma forma de desamor próprio

Confesso: pessoas que têm medo da solidão me assustam. Tenho medo de quem nunca se encontrou na própria companhia e é capaz de negligenciar sua própria vida afim do relacionamento. Imagino que se essas pessoas são capazes de arriscar a própria felicidade, o que não farão com as dos outros.

Não entendo como há pessoas que atribuem ao outro a responsabilidade de serem felizes. Isso é tão perigoso quanto entregar, ao bandido, a munição para atirar. Depender da aceitação de alguém sobre suas atitudes é não respeitar a própria história e não acreditar ser merecedor de um sentimento tão nobre.

Ninguém ama o próximo se não amar a si primeiro. Albert Camus afirmava que “o homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio.” Então, qual o problema em ir ao cinema e jantar sozinho? Qual o problema em ter apenas uma taça de vinho na mesa? De onde surgiu essa necessidade absurda em ter alguém?

O amor acontece em via de mão dupla, com limites de bom senso e respeito. Se não for assim, não é amor. Simples, não? Entenda que ninguém vale a nossa paz. Ninguém vale as horas perdidas com lágrimas, nem as duas toneladas de chocolate que você comeu vendo seriados românticos. Por mais que você goste de se enganar, acredite, ninguém vale a sua felicidade.

Diferente da maquiagem, vergonha não sai com água e sabão. Portanto, tenha vergonha de se humilhar. Tenha vergonha de oferecer mais do que procuram. Tenha vergonha de esquecer quem você é para ser uma personagem que agrada a todos.

Ame a si, respeite seus sonhos e recomece. E, se ver que não consegue, pegue uma dose de amor próprio e duas pedras de gelo e engula. É por dentro que os efeitos começam mesmo.

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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