Quando alguém morre, o corpo inicia uma sequência organizada de reações químicas e microbiológicas. A maioria passa despercebida para quem está de fora. Outras, raríssimas, chamam atenção porque parecem contrariar o senso comum.
É o caso da chamada extrusão fetal pós-morte — popularmente conhecida como “parto no caixão”. A seguir, o que é, por que pode ocorrer e em que condições isso já foi documentado.
“Parto no caixão” é o termo informal para a expulsão do feto após a morte da gestante, sem intervenção clínica. O evento é excepcional e depende de um conjunto específico de fatores que surgem durante a decomposição.
Depois da morte, o corpo entra em autólise: enzimas das próprias células começam a degradar tecidos. Logo após, chega a putrefação, etapa em que bactérias intestinais produzem gases (como metano, dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio).
Esse gás se acumula nas cavidades internas e causa distensão abdominal. Em gestantes, o útero ampliado e amolecido e o canal vaginal podem oferecer menor resistência à pressão interna. Em condições muito específicas, esse gradiente de pressão empurra o feto para fora.
A possibilidade aumenta quando o corpo não é embalsamado, autopsiado ou refrigerado rapidamente. Janela típica: 48 a 72 horas sem refrigeração adequada.
Temperatura ambiente elevada, roupas apertadas e posição do corpo podem influenciar a direção e a intensidade da pressão gasosa.
É comum? Não. Profissionais de serviços funerários relatam nunca ter presenciado a situação ao longo de anos de trabalho. Ainda assim, há registros forenses raros que descrevem o acontecimento.
Quando ocorre, o evento pode ser:
Em praticamente todos os relatos, o feto já está sem vida no momento da expulsão. O processo é silencioso e não tem a dinâmica de um trabalho de parto em vida.
Alguns casos ganharam notoriedade por constarem de relatórios oficiais:
A divulgação do tema por agentes funerárias e educadores em tanatologia ajuda a reduzir mitos e a explicar a lógica biológica por trás de um evento que, embora chocante, decorre de leis físicas e microbiológicas que atuam no corpo após a morte.
É um fenômeno extremamente raro, dependente de tempo, temperatura e ausência de procedimentos conservantes — e que segue sendo registrado apenas em situações muito específicas.
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