A reconstituição feita pela perícia e obtida pelo Fantástico jogou luz sobre o que teria acontecido dentro da UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal: em poucas horas, dois pacientes passaram por sucessivas paradas cardíacas até não resistirem, e o responsável apontado no laudo é um técnico de enfermagem de 24 anos.
Uma das vítimas é Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Ela estava internada por causa de uma constipação e, segundo a perícia, tinha quadro considerado estável.
Mesmo assim, teve quatro paradas cardíacas antes de morrer — e o laudo diz que todas foram provocadas por substâncias aplicadas por Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo.
A filha de Miranilde, Kássia Leão, conta que viu a cena de perto e demorou a entender o que estava acontecendo. “Eu pensando que ele estava salvando a minha mãe, ele estava matando cada vez mais a minha mãe”, disse ela.
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Imagens de câmeras do hospital registraram Miranilde consciente e conversando na manhã de 17 de novembro.
Cerca de uma hora depois, de acordo com a perícia, Marcos Vinícius entrou no sistema do hospital usando senha de médicos que não estavam no local para lançar uma prescrição de cloreto de potássio — uma substância controlada que, segundo o laudo, não havia sido indicada para a paciente.
Ele teria buscado o produto na farmácia da UTI e feito a primeira aplicação; logo após, Miranilde sofreu a primeira parada, foi reanimada e sobreviveu.
O médico intensivista Alexandre Amaral, presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira no DF, explicou ao programa por que isso chama atenção: não havia justificativa clínica para o uso do cloreto de potássio no caso dela, e o produto pode desencadear arritmias graves, com risco de o coração parar dependendo da dose e da rapidez da aplicação.
A perícia descreve que, aproximadamente 40 minutos depois, houve uma segunda aplicação do mesmo produto. A paciente entrou em nova parada cardiorrespiratória, foi reanimada novamente e resistiu.
Kássia diz que ela e os irmãos estavam no hospital e acompanharam a sequência de tentativas de reanimação. “Cada reanimação ele aplicava alguma coisa até mesmo na frente dos médicos e ninguém percebia nada”, relatou.
Ainda segundo a reconstituição, Marcos Vinícius voltou ao leito e aplicou outras injeções que antecederam novas paradas.
O laudo também aponta o uso de um desinfetante: após novas aplicações, Miranilde teve outra parada e morreu. Uma familiar, Cátia, resumiu o impacto para quem ficou: “Nossa família ela está destruída”.
No mesmo 17 de novembro, a investigação aponta que João Clemente também recebeu aplicações de cloreto de potássio e, mais tarde, uma injeção de desinfetante. Ele morreu na madrugada do dia seguinte.
A polícia ainda cita um terceiro caso: o carteiro Marcos Raimundo Moreira, internado em 18 de novembro com suspeita de pancreatite, que teria piorado e morreu após um episódio de parada no início de dezembro — e a suspeita é de nova aplicação feita pelo mesmo técnico.
A apuração avançou depois que o hospital abriu sindicância interna para entender por que dois pacientes tiveram paradas cardíacas durante a tarde e morreram horas depois.
O procedimento apontou ligação direta com Marcos Vinícius e com a técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, e depois identificou a presença de uma terceira técnica, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, nos dias das mortes; as duas também foram presas, segundo a investigação.
Para a polícia, o padrão chamou atenção: o delegado Wislley Salomão afirmou que, sempre que uma medicação era aplicada na veia, a parada acontecia em seguida.
E um detalhe reforçou a linha de investigação: os peritos dizem que, ao rever imagens de outro leito monitorado por câmera, encontraram indícios de que o desinfetante não teria sido usado só em Miranilde, mas também em João Clemente.
Alexandre Amaral explicou que a injeção desse tipo de produto pode levar a um choque circulatório, com queda importante de pressão e parada cardíaca.
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