Jackson Cesar Buonocore

A linguagem não verbal: o corpo que expõe a verdade

A linguagem corporal é tão subjetiva e complexa que fica dependente de uma análise apurada. As pesquisas apontam que 90% da comunicação humana é realizada através de gestos, expressões faciais e movimentos dos olhos.

Assim, a linguagem não verbal se constitui em uma das formas para a construção de relações saudáveis. Entretanto, as tecnologias midiáticas estão extinguindo os contatos presenciais, pois são instrumentos de controle e poder.

Os padrões comportamentais são indicadores importantes, como por exemplo: ao ver que as pessoas com quem estamos tentando interagir não apresentam uma expressão corporal receptiva à nossa fala, não é a hora para conversarmos.

Então, temos que aprender o momento de falar e calar, nos tornando bons observadores da linguagem corporal, que nos ensina a fazer uma leitura adequada do ambiente que estamos convivendo, e ainda ajuda a perceber quando alguém está mentindo.

Sintetizei algumas emoções, que se realçam na motricidade corpórea:

Tristeza e olhares:

Há um período de tristeza onde as pessoas sentem-se desamparadas, e a linguagem corporal revela nelas: o canto da boca caído; as bochechas erguidas, como se estivesse cingindo os olhos, fatigantes em oposição aos cantos da boca; olhares curvados; pálpebras superiores pendentes; o canto interno das sobrancelhas cansativos para cima, no meio da testa.

Os sujeitos que olham sempre para os lados parecem inquietos, farsantes ou desatentos. Porém, se eles desviarem os olhares pode ser indício de sujeição ou incômodo. Olhares de esguelha, talvez, sejam de pessoas desconfiadas ou que estão inseguras, do que ouvem dos seus interlocutores.

Aliás, os sujeitos que olham muito para o chão podem ser tímidos. E têm aqueles que olham debaixo quando estão aborrecidos ou seus olhares estão longínquos ou indicam que estão refletindo ou sentindo alguma intensa emoção.

Entretanto, os psicopatas não manifestam expressão de tristeza, nem olhares intrigantes ou qualquer outra emoção, já que são criaturas que não possuem sentimentos, porque são frias e perigosas para a sociedade.

Ombros e dedos:

Ao contrair os ombros, os sujeitos querem dizer que não sabem nada sobre o assunto. Veja: as crianças balançam os ombros para mostrar que não se importam com algo.

Apontar os dedos pode evidenciar acusação ou dominação. Quando éramos crianças e fazíamos alguma coisa errada nossas mães erguiam o dedo indicador para afirmar seu descontentamento. E assistimos gente repetindo esse gesto na discussão com os outros.

Portanto, a linguagem corporal expõe suas verdades nas múltiplas expressões, que foram registradas nas estátuas, pinturas, fotografias, etc., de todas as culturas. Apesar disso, hoje, somos coagidos a fingir felicidade para as câmeras digitais, uma vez que a internet e as redes sociais manipulam o verdadeiro sentido das imagens corpóreas.

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Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

Photo by Yogendra Singh from Pexels

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Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista

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