Por Carolyn Gregoire
Entre os livros, os seminários e os blogs, o estudo de como viver uma vida feliz é praticamente um gênero por si só. Mas será que toda essa caça à felicidade funciona de fato?
O psicólogo Todd Kashdan disse ao Huffington Post que a ideia de que deveríamos nos sentir bem sempre nos faz mal. Algumas pesquisas sugerem que os americanos estão ficando menos felizes, na realidade, à medida que os anos passam. E, segundo Kashdan, é justamente nossa busca incansável da felicidade que pode nos estar levando no rumo errado.
Mas, dada a cultura de positividade em torno das pesquisas e dos textos sobre felicidade, é fácil esquecer que os sentimentos “ruins” são saudáveis e, na realidade, essenciais para compor o espectro emocional total da experiência humana. “Os dados científicos são muito claros: quando tentamos esconder nosso sofrimento, somos menos produtivos e eficazes e acabamos nos sentindo emocionalmente pior”, disse Kashdan.
Em seu novo livro, The Upside of Your Dark Side: Why Being Your Whole Self — Not Just Your ‘Good’ Self — Drives Success And Fulfillment, escrito em co-autoria com Robert Biswas-Diener, Kashdan advoga o valor dos sentimentos negativos. (O título pode ser traduzido como “O lado positivo de seu lado sombrio: por que ser seu eu inteiro – não apenas seu eu ‘bom’ – alimenta o sucesso e a realização”.)
Kashdan acha que essa procura concentrada da felicidade anda de mãos dadas com uma tendência forte a buscar o conforto e evitar qualquer tipo de desconforto, e isso, ele argumenta no livro, nos está enfraquecendo psicologicamente.
Então qual seria a solução? Para começar, é hora de abraçar o que é incômodo, aprendendo a vivenciar e apreciar plenamente as emoções negativas, enxergando-as como um aspecto natural e até útil de nossas vidas. Segundo o psicólogo, também deveríamos cultivar o que ele chama de “agilidade emocional”: a habilidade de reconhecer e atrelar emoções apropriadas (positivas ou negativas) para qualquer situação em que nos encontremos.
A seguir, quatro ensinamentos importantes de The Upside of Your Dark Side.
O sentimento de culpa nos torna pessoas melhores.
“O sentimento de culpa fortalece nossa fibra moral, nos motiva a ser cidadãos mais socialmente sensíveis e conscientes do que seríamos de outro modo. Por exemplo, pesquisadores descobriram que adultos que tendem a sentir culpa têm menos probabilidade de dirigir embriagados, consumir drogas ilegais, roubar ou agredir outra pessoa. Se o caráter se reflete no que você faz quando ninguém está olhando, então a emoção moral chamada culpa é um dos blocos básicos dos quais o caráter é construído.”
Duvidar de si mesmo fortalece seu desempenho.
“Uma coisa que muitas pessoas não percebem é o fato de que a dúvida, em doses moderadas, exerce uma função salutar. A dúvida é um estado psicológico que nos leva a avaliar nossas habilidades e nos esforçar para melhorar em áreas onde podemos ser insuficientes. Karl Wheatley, pesquisador da universidade Cleveland State, argumenta que a dúvida pode ser benéfica, pelo menos no caso de professores escolares. Ele observa que, quando professores sentem incerteza quanto a seu desempenho, esses sentimentos incentivam a colaboração com outros, fomentam a reflexão pessoal, motivam o desenvolvimento pessoal e preparam a pessoa para aceitar mudanças.”
A ansiedade nos ajuda a encontrar soluções para problemas.
“Nas zonas de perigo, a ansiedade fala mais alto que a positividade. Em situações em que o perigo é uma possibilidade mas os indícios podem ser obscuros, complicados ou incertos, a ansiedade pesa mais que a positividade. Em tais casos, as pessoas ansiosas rapidamente descobrem soluções, e, quando há uma equipe em volta delas (amigos, família, colegas de trabalho), elas compartilham o problema e as soluções. Os grupos são mais bem-sucedidos quando incluem um misto de vários tipos de personalidade, com pontos fortes diferentes – e incluindo pelo menos uma sentinela ansiosa.”
Deixar a mente vagar à toa nos deixa mais criativos.
“A criatividade é associada há muito tempo à incubação inconsciente. Você provavelmente já conhece a ideia do ‘momento aha’, aquele insight repentino que de repente traz a solução de um problema ou apresenta uma ideia relevante, no momento mais inesperado. Parece que há algo de inventivo na atenção solta, não focada. As pesquisas fundamentam a ideia de que a criatividade nos pega de surpresa.”
Fonte indicada: Brasil Post
Imagem de capa: Photographee.eu/shutterstock
Qual dessas mulheres prende seu olhar primeiro? A resposta revela algo seu
O diagnóstico de câncer antes dos 50 anos passou a chamar a atenção de médicos…
Hoje, ver uma mulher de biquíni na praia parece tão normal que quase ninguém pensa…
Você reconhece o ator que saiu da infância humilde para conquistar Hollywood?
Existe um tipo de sofrimento emocional que quase ninguém percebe de imediato. Ele não costuma…
Tem imagens que funcionam quase como um espelho simbólico. A gente olha rápido, acha que…