Jackson Cesar Buonocore

A comédia e a tragédia da estupidez humana

Há poucos dias conclui a leitura do livro “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”, do escritor italiano Carlo M. Cipolla, que aborda esse assunto tão atual e polêmico. Cipolla nos ensina a entender como se orientam as práticas da estupidez humana. E neste artigo faço uma releitura das ideias do autor.

A palavra estupidez vem do Latim stupidus, incapacitado, sem ação, de stupere, ficar pasmado, atônito, espantado, inerte perante algo extraordinário. Mas antes, o sentido original de estúpido era mentalmente inapto. Em seguida passou a falta de inteligência e hoje é usado no sentido de grosseiro ou mal-educado.

A estupidez humana tem como uma das leis fundamentais a falta de inteligência, que é o oposto de ser ignorante ou inculto. Essa característica pode ser atribuída às intervenções de grupos ou de pessoas, que manifestam a sua estupidez em discursos e comportamentos.

Esse conceito se refere também ao uso perverso do ato de julgar a tudo e a todos, porque a estupidez é uma espécie de “apagão” intelectual. É uma escuridão mental, que mistura o preconceito e a falta de conhecimento, transformando os pensamentos em coisas toscas ou tacanhas.

Os Provérbios de Salomão, em 966 a 926 a.C., já nos alertava: “Até quando, ó estúpidos, amareis a estupidez? E até quando se deleitarão no escárnio os escarnecedores, e odiarão os insensatos o conhecimento?”

Na idade média foi possível reconhecer os “sete pecados capitais” e a estupidez humana ficou escondida nas “trevas” do inconsciente dos seus pecadores. Mas, o escritor Oscar Wilde ironizou ao escrever que não há nenhum pecado, exceto a estupidez.

A comédia se aproveitou da estupidez humana como fonte de divertimento. Os bufões eram personagens das sátiras, que faziam gargalhar os reis e seus cortesões. No teatro, os operários e camponeses debochavam das estripulias dos palhaços. Na atualidade, a estupidez ganhou um novo formato no seriado americano Homer Simpson e oferece muita munição às piadas dos humoristas.

Em nossas atividades cotidianas vamos nos deparar com as atitudes e conversas estúpidas, não no estilo do bufão ou do palhaço, mas na versão “modernosa” orientada pela tolice e a indelicadeza. Elas surgem, teimosamente, nos espaços e situações menos oportunas, querendo pautar a vida alheia, sobretudo, nas redes sociais.

Se ligarmos a televisão, lermos os jornais, ouvirmos as retóricas políticas, escutarmos a voz dos púlpitos e acessarmos a internet aparecerá a motricidade da estupidez humana, como um sintoma “tresloucado” da nossa sociedade líquida.

A tragédia disso, é que a estupidez humana tem o seu público cativo, pois persiste na sua ambição de causar males ou perdas aos desatentos. Assim as empresas, as famílias e as pessoas perdem dinheiro, tempo, energia, alegria e saúde, dando “Ibope” à estupidez.

Entretanto, as Ciências humanas, biológica e exatas desenvolveram-se para combater a estupidez humana, e nos fornecem as ferramentas do conhecimento – para neutralizar – a estupidez, que é uma seiva obscura, que impede o crescimento da felicidade individual e coletiva.

Enfim, o cientista Albert Einstein afirmava uma frase cômica e trágica: “Só existem duas coisas infinitas, o universo e a estupidez humana; e, a rigor, ainda não estou bem certo da primeira”.

Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

Jackson César Buonocore

Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista

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