Você tem um plano D?

Toda época cria seus deuses, ideologias, crenças, manias. Teve época em quase todos os homens usavam chapéus. Época em que o diabo estava dentro, outra em que estava fora de nós. Época em que comer manga com leite matava e fumar era elegante.

Cada época também tem palavras e expressões próprias. Por exemplo, soa velho falarmos progresso, rodoviária, vitrola, grupo escolar, caixinha de música, virilidade, long-player, esposo, domar a natureza.

Hoje estão na crista da onda, no último furo: sustentabilidade, transparência, terminal, celular, mídia digital, link, conectividade, genoma, transgênico, transgênero, planejamento.

Este último, aliás, ocupa lugar de honra na vida contemporânea. Somos estimulados a planejar tudo, até o erro. Há de pôr no Excel gráficos de desejos e tabelas de estratégias.

Nos encorajamos a pensar em planos, etiquetados com as letras A, B e C. Sendo que o Plano A é o mais fácil de sonhar e o mais difícil de realizar. Ele responde àquela pergunta: O que você quer ser quando crescer?

Ok. Se você respondeu astronauta prepare-se para ter um Plano B. Algo que seja similar, parecido, genérico. Que tal piloto de avião? Ou astrônomo? Pois, cá para nós, quantas naves espaciais transitam pelos céus?

Se respondeu a mais bem sucedida top model do mundo comece a avizinhar-se do picadeiro real. Esse é cheio de obstáculos, ciladas, conflitos, indiferenças. Fique preparada para redesenhar seu sonho. Ou até mesmo a redimensioná-lo.

O Plano B deveria ser item obrigatório nas nossas vidas. Ele é uma espécie de âncora. Não realiza a grande viagem, mas também não nos tira do mar. De alguma maneira nos deixa ver o horizonte.

E se âncora se despregar do barco? Aí entra o Plano C. A terceira tentativa de se manter fiel ao desejo íntimo. Quando acionamos o Plano C nem nos lembramos mais do A. Oh, vida!

Mas o Plano C é o mais gracioso de todos. É quando nem você e nem os outros esperam muita coisa de você. Então estamos aptos a abandonar gráficos e tabelas. Livres para navegar possibilidades sem fim. Sem medo algum de se arriscar num grande Plano D.

COMPARTILHE
Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu é escritora especializada na produção de textos para a internet. Seu gênero preferencial é a crônica. Ela também ministra aulas, palestras e workshops de escrita criativa e aplicada. Está muito entusiasmada em participar do CONTI outra, artes e afins.



COMENTÁRIOS