Você precisa realmente disso? Entenda a compulsão por compras

Quem, pelo menos uma vez na vida, não conseguiu resistir ao apelo de comerciais, outdoors, de produto que nem se desconfiava precisar ou do último lançamento de celular ou perfume? Adquirir produtos e serviços corresponde a vários fatores, como necessidade real, modismo, importância, status e até diversão, prazer puro e simples.

Mas é impossível ignorar o apelo mercadológico, da indústria que produz ao comércio que seduz, com pagamentos facilitados, a perder de vista, vendendo a ideia de que qualquer coisa está ao alcance do seu bolso, disponível ao clicar de um botão e entregue em domicílio. Nenhum destes personagens é responsável por inadimplência, dívidas de consumidores conscientes de sua situação financeira, mas se torna refém de uma sociedade perversa que contribui para o desenvolvimento de transtornos.

A compulsão por compras é denominada oniomania, e os que sofrem deste transtorno são conhecidos como shopaholics ou compradores compulsivos. Os seguintes sintomas sinalizam para a existência de um problema e, se perduram por algum tempo, são critério diagnóstico: gastar mais do que o planejado ou possível, comprometendo sua renda; incapacidade de controlar o desejo de comprar, mesmo que não se precise do objeto no momento e que ele represente um gasto que vai trazer prejuízos, não só financeiros, e interferir negativamente em vários aspectos da vida; comprar por prazer e não por necessidade, principalmente, artigos de uso pessoal, como roupas, sapatos, joias, que pouco usará, se chegar a fazê-lo; esconder as compras de familiares, cônjuges e amigos; mentir sobre a quantia gasta nas compras (é comum a desculpa de que estava em liquidação ou em promoção); gastar um tempo considerável em fazer contas, e buscar soluções para saldar os pagamentos; estourar cartões de crédito e cheque especial, recorrer a empréstimos e continuar gastando; comprar por impulso, levado por emoções como tristeza, angústia, tédio, frustração, por se sentir deprimido ou ansioso; experimentar, antes do ato, excitação, durante o mesmo, prazer e gratificação, e, depois, culpa, vergonha e remorso.

A oniomania causa problemas sérios que vão desde os familiares, nos relacionamentos, até questões legais, que envolvem de cheques sem fundo a furtos, mesmo que o indivíduo não tenha necessidade de recorrer ao comportamento. Quem sofre deste transtorno não considera que tem um problema, e a maioria só procura ajuda quando a situação chega ao limite, muitas vezes levado por familiares ou amigos, que percebem que a situação saiu de controle.

Vale observar que a compulsão por compras pode ocorrer na fase maníaca dos portadores de transtorno bipolar e no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
O tratamento inclui terapia, grupos de autoajuda, como os Devedores Anônimos (DA), um conselheiro financeiro, que vai dar orientação no sentido de reorganizar as finanças, e, se preciso, medicação, para tratar as comorbidades, como depressão e ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental vai trabalhar com o objetivo de identificar a causa do problema, as crenças de desvalor, as emoções negativas, a insatisfação que o indivíduo tenta superar com comportamentos compensatórios.

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Maria Cristina Ramos Britto
Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental, trabalha com obesidade, compulsão alimentar e outras compulsões, depressão, transtornos de ansiedade e tudo o mais que provoca sofrimento psíquico. Acredita que a terapia tem por objetivo possibilitar que as pessoas sejam mais conscientes de si mesmas e felizes. Atende no Rio de Janeiro. CRP 05/34753. Contatos através do blog Saúde Mente e Corpo.



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