Você sabe em que medida a lavagem cerebral afeta a sua vida?

Imagem de capa: Eduard Gurevich/shutterstock

O que é lavagem cerebral? Você sabe em que medida a lavagem cerebral afeta a sua vida e dita as suas escolhas?

Muitas pessoas pensam que lavagem cerebral é apenas um catecismo ministrado aos incautos e débeis mentais seguidores de um grupo formado por doutrinas fundamentalistas exóticas e amalucadas.

Não é bem assim. A lavagem cerebral é um processo constante e contínuo que é praticado pela sociedade organizada, formando o que se pode chamar de movimentos sociais. Se você está vivo, e pertence de maneira efetiva a um grupo social, está sendo submetido a constantes lavagens cerebrais.

Interessa a todos os setores do humanismo que sejamos lavados cerebralmente. Interessa-lhes que os cidadãos não pensem, não comparem, não analisem, não critiquem, não exerçam resistência, obedeçam, e propaguem ideias difundidas com o objetivo de catequizar a população em massa.

Interessa ao comércio, à política, ao Estado, à religião, aos grupos sociais, a todas as cooperativas e cooperações que se unem sob o mesmo credo, interessa-lhes que todos os seus cooperados se mantenham fortemente motivados, alienados e manipulados sob estatutos e conveniências.

Somos alvo de lavagem cerebral o tempo todo, de maneira velada, constante, contínua. Só que não percebemos.

Chamamos de moda, tendências, publicidade, propaganda, atualização, religião, cultura, toda a informação que recebemos para nos induzir a determinados comportamentos, e pensamos que estamos a salvo de manipulações mentais. Só que não.

Sofremos uma manipulação cerrada sob a influência da mídia: vestimos a moda que um grupo invisível determina que é a “última moda.” Por mais que não se goste da “última moda” num primeiro momento, de tanto sermos expostos à ideia última, acabamos adotando aquilo que, a princípio, detestamos. E quando estamos definitivamente convencidos de que aquela moda é a nossa moda, chega a próxima nos convidando para esquecer o aprendido e efetuar uma nova compra.

O mesmo acontece com o nosso gosto musical. De tanto ouvir uma música feia, a achamos bonita. Dali uns dias nos surpreendemos cantarolando o refrão que grudou em nossa cabeça.

Avistamos a primeira imagem do novo modelo de um carro e pensamos: “ esse eu jamais compraria”. Quem nunca? Depois de um tempo nos surpreendemos saindo da concessionária justamente com aquele carro que nos parecia impossível de tão feio.

De tanto nos expormos ao conceito ele se agarra a nós. De tanto ouvirmos a sugestão, ela se torna nossa. De tanto baterem na mesma tecla invadem o nosso piano e trocam todos os nossos sustenidos e bemóis.

Vivemos dentro da caixa dos outros, do grande caixão universal coletivo, e fora da nossa caixinha. De tanto todo mundo repetir a mesma coisa, acabamos por replicar o mesmo comportamento.

Renunciamos ao nosso senso crítico e adotamos o senso comum. Que é burro, mas é avassalador, por conta do processo de lavagem cerebral a que somos submetidos continuamente.

Somos lavados e varridos por propagandas de produtos cujo conteúdo e utilidade são duvidosas, mas fazem o nosso cérebro sucumbir ao desejo, a tal ponto que até mesmo a nossa química cerebral se altera a cada vez que obedecemos à sugestão massiva.

Somos dopados pelas endorfinas que se apresentam e inundam a nossa corrente sanguínea no momento da compra.

Consumir libera altas doses de endorfinas. Consumir afoga mágoas. Consumir “amplia” a visão de mundo. Tiramos a visão dos problemas e nos fixamos naquilo que está nos seduzindo. Passamos por cima de tristezas infindáveis, a cada vez que enfiamos a mão no bolso, e sacamos a carteira para comprar aquilo que não precisamos, mas naquele momento, parece ser a única coisa no mundo sem a qual não poderemos mais viver.

Por que fazemos isso? Por que nos rendemos a algo cujo prazer dura apenas o instante da posse? Por conta da lavagem cerebral que nos assedia todos os dias, todos os anos, em todos os setores da sociedade organizada, enquanto vivemos.

Engana-se quem pensa que esse assédio é apenas de origem comercial.
Que nada – e antes fosse!

Somos abduzidos por conceitos sociais, por conceitos filosóficos, por conceitos sanitários, por conceitos políticos, por conceitos religiosos, e por outras associações menos óbvias que no fundo querem não apenas o nosso dinheiro, mas também a captura da nossa mente.

Quando digo “conceitos religiosos” não estou me referindo a religiões exóticas ou perturbadoras.

Lamentavelmente, o bom, grande, seguro, antigo, e eterno Cristianismo é hoje o veículo das maiores investidas desferidas contra nós. Os “gurus do cristianismo” trabalham com um instrumento de grande poder: a salvação das nossas almas.

Quem não sabe que precisa de Jesus para se salvar? Todos sabemos. Não há nenhum outro nome, e nenhum outro homem na face da terra, que tenha vencido a morte e voltado para assumir que pode salvar todo aquele que nele crê. Ninguém teve coragem de reivindicar isso. Só Jesus.

Sabendo disso os “gurus do cristianismo” lançam os seus tentáculos infalíveis contra a plebe ignara, faturando como depositários da fé, e explorando todas as leis do Antigo Testamento, -feitas para os judeus e não para os cristãos, – como se fôssemos judeus e não cristãos.

Essa profissão vantajosa rende status, posição e dinheiro. Muito dinheiro. Basta olhar para a vida dos assim chamados pastores midiáticos, incensados por programas de televisão e por seguidores que mal leem a Bíblia.

Coincidentemente, quanto mais sucumbe ao mercado de lavagem cerebral, mais o homem se percebe vazio, pequeno, carente de graça, e mais se torna presa fácil da sociedade e de seus conceitos estatutários. Estabelece-se um circulo vicioso.

Nesse rastro entram os partidos políticos, as organizações societárias, as estruturas que nasceram para atender as brechas das necessidades fundamentais do ser humano com educação, saúde, segurança, cultura, entretenimento, e sobretudo, pertencimento. O homem é um ser que adora pertencer. Depois dele vem o cachorro.

Tudo o que a gente imagina, e tudo o que nos rodeia, se vale da prática da lavagem cerebral sobre a humanidade e sobre nós.

Aqui no Brasil temos visto o fenômeno da religiosidade partidária promovida pelas ideologias de esquerda. É de praxe fazer um catecismo, mas a esquerda se especializou de forma que se encontra anos-luz na frente das outras ideologias.

Não importa quanta corrupção e quanta bandidagem haja no seio desses partidos, sempre haverá multidões dispostas a lutar, defender, arrumar discussões infindáveis e brigar por tratados enganosos de justiça social. Quando percebem a mais leve sombra de discordância ou de censura ao partidão, pulam como bonecos de mola.

O que impede pessoas de bom nível cultural enxergarem a corrupção e a roubalheira que se escondem nesse ninho? A lavagem cerebral. Funciona? E como funciona! A lavagem cerebral coloca as inteligências no bolso da insensatez e da mediocridade comum a todos os níveis de escolaridade.

Ela não apenas ajunta, como também separa. Faz parecer que a humanidade deve ser contida dentro dos bolsões de seus credos fundamentais. Rotulada por seus estatutos. Por isso, proliferam os estatutos. Quanto mais leis, mais muros delimitando a humanidade catequizada. Ouso dizer que estamos há tanto tempo nessa toada robótica que não saberíamos mais viver sem lavagem cerebral.

Ficaria um vazio.
Uma ausência de centro.
Um oceano sem limites de força gravitacional.
Uma massa sem forma.

Sem os donos da verdade teríamos que construir a nossa própria verdade priorizando a individualidade, promovendo a unicidade essencial do ser consigo mesmo, rompendo os laços do pertencimento a qualquer preço que faz partidários de um mesmo clube de futebol, de um mesmo credo político, de uma mesma denominação religiosa, de uma mesma escola de samba, de um mesmo gênero musical, de uma mesma seara, de um mesmo rebanho, sem o exercício da contestação e da dúvida.

Isso dá um trabalho!
Poucos querem!
A maioria esperneia até diante de um artigo como esse.
Que venham as críticas!

Os poucos que despertarem com as fagulhas que este texto produzir, ficarão silenciosos, e me farão pensar que este artigo valeu a pena.

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Ana Maria Ribas Bernardelli
Estudante de humanas-idades, cidadã do céu e da terra, escritora por compulsão, leitora de letras, de pontos, de reticências, e de linhas, interventora de paisagens, solitária por opção, gregária por necessidade, gosto de músicas, filmes em que só as pessoas acontecem, documentários, biografias, e todas as obras de Clarice Lispector e de Watchman Nee. Vivo a espiritualidade, sem religião. Não tenho afinidades com rituais e com scripts que se repetem. Amo a liberdade, os animais, as plantas, os velhos, as crianças, e todos os seres que se sentem estranhos no ninho. Fujo de superficialidaes, e não tolero nenhum tipo de injustiça, crueldade, ou tirania. Adoro a Deus e a ele quero servir. Escrevo para organizar a vida, para aguentar o tranco, e em cada texto meu, você me encontrará. Espero que eu também lhe encontre no meu email, no meu site, e nos meus endereços nas redes sociais. Feliz por estar com vocês!

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