Viver é um processo irreversível

Quem é que vai ceder? Quem vai recolher as defesas? Quem vai explicar e traduzir todas as novas diretrizes?

São novos tempos, mas os ventos ainda vem da mesma direção. Somos o velho, o novo, o velho e o novo, ou uma coisa nova que não é nova nem velha? Talvez sejamos o esboço de uma obra a ser modelada coletivamente. Se a obra vai ser bonita ou se vai ser horrenda , ainda não se sabe. Pra saber há de se consultar o tarô, os búzios, os economistas, os livros de história, ou apenas observar o vento movimentando as folhas secas que caíram das árvores na estação passada.

Pra que lado segue o vento? Se há ventos do norte e ventos do sul, não há movimento algum da folha seca, a não ser um incessante rodopiar sem nunca sair do mesmo eixo.

Quem vai ceder? Quem vai recolher as defesas? O velho e o novo tecendo uma história repleta de conflitos, divisões, denominações. Novas diretrizes sendo criadas a cada novo tropeço ou entendimento. Nem os grandes romancistas seriam capazes de imaginar uma trama tão intrincada. Podia? Não pode mais. Se adapte. Entenda. Troque de pele. Sinta. Olhe ao redor. Consulte os búzios, o tarô, os economistas, os livros de história ou apenas sinta. Há um denominador comum nessa equação, todos nós sentimos. Sinta as dores e as cicatrizes do outro, afinal a história da humanidade e os seus inúmeros tropeços ainda pesam nas costas de alguns. O efeito borboleta talvez explique, ou a física, ou os búzios, o tarô, os economistas, ou simplesmente os livros de história. Sentir. Entender.

Diretrizes e bases de um entendimento em construção. O aprendizado às vezes é lento… Mas, por essência, é um processo irreversível. Caminhamos. Há um horizonte se desenhando ou são apenas as cores de uma esperança insistente e irracional? Alguém há de responder. Tomara que não sejam os livros de história, que tem a mania de repetir sempre as mesmas estórias, mudando apenas os personagens.
Ao norte, ao sul, à direita, à esquerda? Espero que seja pra frente.

Imagem de capa: Kite_rin/shutterstock

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Felipe Souza

O socorrense Felipe Souza descobriu cedo o seu interesse pela literatura e pela escrita. Nos primeiros anos da escola já era uma criança imaginativa que tinha especial interesse pelas aulas de Redação e de Língua Portuguesa. Na adolescência, já se arriscando a produzir seus próprios textos, participou de três edições do Mapa Cultural Paulista, tradicional concurso literário do Estado, inscrevendo seus contos, “Procura-se uma identidade, de 2005, “Rotina”, de 2006 e “(Minha vida cabe dentro de um parêntese)”, de 2007, que, em suas respectivas participações, conquistaram a primeira colocação na fase municipal da competição.

Felipe cursou Letras- Português e Inglês, na PUC-Campinas e trabalha desde novembro de 2016 produzindo conteúdo jornalístico para a Rádio Socorro.


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