A vida é o maior dos espetáculos. Ela merece ser protagonizada por você!

Imagem de capa: sniegirova mariia/shutterstock

Uma queixa recorrente entre as pessoas que já optaram por um tratamento psicológico e, em seguida, desistiram é a de que o profissional não lhes deu nenhum conselho, não resolveu seus problemas, não lhes mostrou um caminho claro para a solução de seus conflitos. Com base neste tipo de argumento, estas pessoas dizem que o psicólogo não lhes ajudou em nada.

Um detalhe importante sobre um tratamento psicológico, de que normalmente as pessoas não são cientes: boa parte dos profissionais em psicologia atuam com base em abordagens não-diretivas.

O que é uma abordagem não-diretiva? É uma abordagem que parte da premissa de que o cliente/paciente é a pessoa mais capacitada para saber e entender o que é melhor para ele. Sendo assim, é normal que o psicólogo se posicione como facilitador do processo em que seu cliente/paciente se descobre, entende-se, assume as rédeas de sua própria vida e, com base nisso, faz suas próprias escolhas e assume suas consequências.

O inconveniente, aqui, é que temos medo da responsabilidade da escolha, temos uma dificuldade imensa no que diz respeito a abrir mão. Pior: temos pavor de ter que assumir as consequências de nossas decisões.

Em terras como essa, reinam os grandes líderes religiosos ou políticos, imperam os livros de auto ajuda e se destacam as figuras que fabricam regras e apontam verdades prontas. Assim, ao menos não precisamos quebrar a cabeça com nossas decisões e, se algo der errado, a culpa não foi nossa.

Ora, que psicólogo o quê! Precisamos é de um YouTuber que nos diga como dar rumo à nossa vida, de um amigo bom de conselhos, que aponte a luz no fim do túnel, de um livro recheado com frases e conclusões de efeito para resolver nossos conflitos.

Augusto Boal – dramaturgo e personagem que merece destaque na luta contra a ditadura – falava muito sobre o protagonismo social. Boal usava o teatro como ferramenta para promover mudanças sociais. Em resumo, a ideia era a seguinte: ao passo que assumimos o protagonismo da peça que é nossa vida, tornamo-nos capazes de transformá-la.

Não é difícil sair da esfera social e aplicar tal conceito à esfera individual. Na peça, que é a vida de cada um, é importante que saibamos exercer nosso papel: o principal. Para isso, a independência e autonomia são indispensáveis. O preço da liberdade e autonomia, no que se refere à nossa caminhada, são as consequências de nossas escolhas.

Por outro lado, o valor que se paga por abdicar dessa independência me parece maior. Isto corresponderia a abrir mão da própria capacidade de trilhar sua estrada, ao seguir cegamente a multidão. Ser coadjuvante na própria história.

É relevante ressaltar que somos todos seres sociais e as pessoas ao nosso redor indubitavelmente exercem influência sobre nossas vidas. Apesar disso, cada ser humano é um universo e, nesse universo, os exploradores mais experientes somos nós mesmos. Quem mais indicado para opinar e decidir sobre seu universo do que você mesmo?

Então, não se aborreça, caso seu psicólogo seja semi ou não-diretivo e não tenha a chave para solução de todos os enigmas do mundo. Simplesmente se deixe levar pelas técnicas que ele usar e protagonize a terapia. Mostre-se, descubra-se, imponha-se. Isso se aplica também ao mundo lá fora, às suas escolhas, a seus conflitos, à sua vida que, por sinal, é o maior dos espetáculos e – aqui me permitirei ser diretiva – merece ser protagonizada por você.

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Mísia Morais
Paraibana (Campinense) estudante de Psicologia que tem a cabeça nas nuvens, pés no chão e um fraco por causas perdidas.

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