Velhinhas safadas: Acompanhantes da Terceira Idade

Numa sequência de programas de um canal a cabo, que tratava do mundo moderno e a pornografia, assisti uma reportagem sobre acompanhantes da Terceira Idade, chamado “Minha avó acompanhante”. Para a minha surpresa, três senhoras inglesas deram entrevistas de forma aberta e sincera sobre suas vidas como profissionais do sexo.

Diferente de prostitutas que envelheceram e continuaram trabalhando, as três senhoras tiveram sua iniciação como acompanhantes depois de se divorciarem ou se tornarem viúvas. Uma delas afirmou ter começado a se prostituir por necessidade financeira que sofreu após seu conturbado divórcio.

Não foi novidade para mim, saber da existência de prostitutas ou acompanhantes da terceira idade. Na Alemanha eu havia visto propagandas na televisão com frequência, durante a madrugada, sobre acompanhantes desta idade, que parecia ser algo comum para os alemães. Talvez uma preferência ou até mesmo uma necessidade, considerando esta faixa etária no país.

No Brasil sabia que isso também existia, mas muito mais por necessidade e pobreza. Afinal quem é que envelhece e deseja se prostituir? Pois é…

Se no Brasil a prostituição durante a velhice tem sido muito mais uma consequência da pobreza do que uma escolha, no caso dessas senhoras inglesas, o convívio com o sexo pago se tornou uma opção pelo prazer e vitória sobre a monotonia e solidão.

A acompanhante mais velha, de 84 anos de idade, ainda estava se recuperando de uma cirurgia que havia feito há oito semanas durante as entrevistas. Andava e se movimentava com dificuldade e lentidão, mas não via a hora de se recuperar para voltar ao trabalho. Durante as entrevistas a senhora exibiu com satisfação algumas mensagens via celular, que recebeu de seus clientes. No mesmo programa, a filha mais velha aparece no dia de seu aniversário. Todos os demais familiares se afastaram.

O triste da história, a meu ver, não é a prostituição em si, uma vez que a velha senhora se sentia feliz com isso, mas o verdadeiro motivo que a levou a se tornar uma acompanhante: solidão. Se por um lado envelhecer sozinha a tornava depressiva, após a profissão, apesar das constantes visitas de clientes (de todas as idades), houve o afastamento de quase todos os seus familiares e conhecidos.

A senhora se sentia sexy, viva e desejada. E mesmo com os pezinhos cruzados com chinelinhos de avó, ela realmente tinha trejeitos de uma boa sedutora.

Fato é que nenhuma das três senhoras inglesas viviam na pobreza e nenhuma havia se prostituído antes em sua juventude ou vida adulta. O interesse pela profissão começou após os sessenta anos de idade.

As velhas senhoras pareciam muito motivadas com suas escolhas. Durante todo o tempo das entrevistas, que aconteceu em dias e horários diferentes, várias vezes, elas pareciam muito naturais, seguras de si e felizes, mesmo com o descontentamento de alguns familiares.

Uma das senhoras era muito bem vista pela família. Seus filhos e netos aceitaram e entenderam sua escolha, uma vez que ela estava mais feliz assim, além de ganhar um bom dinheiro com o seu prazer.

O programa somente descreveu a vida dessas senhoras, sem qualquer julgamento ou crítica. E no fim das contas, eu fui apresentada a três idosas muito felizes e satisfeitas com suas vidas.

Se a vida realmente começa aos sessenta, pode ser que a satisfação sexual também. Ao menos para essas senhoras e muitas outras, o sexo está sendo bem mais divertido e vívido do que o velho tricô e crochê!

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



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