Trabalhar pode causar câncer?

Por Carolina Vila Nova

Para quem nunca ouviu o termo “câncer ocupacional”, pode imaginar duas coisas bem diferentes: uma delas bem negativa, que é a doença propriamente dita; e a outra, mais positiva, que seria a terapia ocupacional. Mas o câncer ocupacional vem a ser justamente a parte negativa do que pode ser imaginado. A palavra ocupacional aparece neste conceito, por se tratar de uma doença causada pela ocupação profissional de uma pessoa, exposta no seu local de trabalho a longo prazo.

O termo não é muito conhecido. E os números de casos de câncer registrados no país como câncer ocupacional, apenas confirmam que o assunto não é divulgado como deveria. No ano de 2009 apenas 0,66% dos auxílios-doença estavam relacionados a este tipo de câncer. Há falta de informação da população sobre o assunto e dificuldade na coleta de dados sobre as causas da doença quando ela é registrada.

Desde pequenos, naturalmente percebemos que trabalhar com radiação é algo perigoso, uma vez que até mesmo nossas mães nos deixavam sozinhos numa sala de hospital para um exame de Raio-X. E os mais velhos, deverão ter lembranças de noticiários sobre os perigos de Usinas Nucleares e Minas de Carvão. Mas ainda assim, pouco se fala sobre o assunto no sentido de saúde a longo prazo. E quase nada é dito sobre os outros possíveis locais de contaminações. Só que não apenas radiação pode causar câncer.

Por exemplo: quem poderia imaginar que trabalhar na área de beleza pode ser um alto risco à saúde? Uma cabeleireira pode ser exposta diariamente à certos tipos de produtos químicos, que poderão adoecê-la em algumas décadas. E não apenas esta área de trabalho está sujeita a um câncer ocupacional, mas como também muitas outras profissões: açougueiro, barbeiro, carpinteiro, mecânico de automóvel, pintor, operadores de rádio e telefone, enfermeiros, comissários de bordo, bombeiros, eletricistas, motoristas e outros. As possibilidades são tantas, que o termo Câncer Ocupacional deveria ser assunto obrigatório em matérias como Ciências e Biologia.

Mas talvez o governo não esteja muito interessado nisso, uma vez que o mesmo não tem condições de averiguar e controlar todas as estruturas trabalhistas do país. Além de não possuir tratamentos, clínicas e hospitais adequados para a grande população que se descobriria doente por motivo ocupacional a partir de então.

O Brasil é um país rico, porém com riqueza mal distribuída. Possuímos uma grande classe de trabalhadores capaz de aceitar os riscos que for de uma profissão, para adquirir o seu pão de cada dia. Não temos empregos para todos, nem dinheiro e menos ainda educação. Os resultados são locais de trabalhos perigosos, funcionários desavisados e pessoas doentes.

Ao menos hoje temos mais liberdade de expressão e meios para buscarmos informações e passá-las adiante. A internet está aí para isso, àqueles que pretendem usá-la de forma produtiva em sua vida.

Apesar de vivermos numa sociedade cheia de carências e necessidades emergenciais, temos também a responsabilidade de aprendermos a pensar a longo prazo, principalmente no que diz respeito à nossa saúde e à nossa vida.

Antes de aceitar um emprego ou mesmo continuar no lugar onde se está, não apenas vale a pena se informar, mas pode ser que valha uma vida!

Mais informações e detalhes em:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2012/05/saiba-quais-profissoes-estao-mais-propensas-a-desenvolver-cancer-3743429.html

https://oncovitae.wordpress.com/tag/cancer-ocupacional/

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br



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