Tédio! Preciso urgentemente fazer planos!

Imagem de capa:  racorn/shutterstock

A gente trava uma baita luta com as questões da vida, tentando estabelecer uma rotina tranquila, segura, independente… Não é desafio fácil, a todo instante surgem complicações e situações que roubam o tempo planejado para relaxar e se espreguiçar.

Mas, depois de uma avalanche de antecipações e providências, um dia a gente até consegue dominar a tal rotina, pelo menos por um tempo, como prêmio à fiel dedicação.

E então nos sentimos donos do mundo e de todos os relógios que possam existir. O tempo passa a ser obediente e a vida prossegue no passinho cadenciado que lutamos para conquistar.

Sem nos darmos conta, seguimos, e, em algum momento, a orquestra parece destoar, se arrastar, desafinar. É o tédio se aproximando, se arrastando pelo chão, pelas paredes, pela boa e saudável disposição que até então se mantinha presente.

O tédio não chega somente quando temos tempo sobrando. Nem também quando não problemas ou questões urgentes a resolver.

O tédio aparece quando a vida está despida de emoção. E ele nos cobre como uma capa impermeável, pesada, inviolável.

Sentir tédio é sentir uma paralisia de vontade, um congelamento de desejos, um tanto faz pernicioso e indiferente.

Tédio chama mau humor. E mau humor faz a gente ver tudo embaçado. A rotina vira tortura, o tempo se arrasta, até a chuva pela janela, incomoda.

E a gente demora um tempo para entender o que acontece. Na verdade, tudo parece normal. Não fossem uns fracos sinais de alerta, o tédio poderia tomar conta e dormir satisfeito, de conchinha, conosco.

Mandá-lo embora, uma dura missão. Desfazer a rotina perfeita, o sonho perseguido, a segurança do dia dominado, das horas domesticadas e muito bem mandadas. Para uma pessoa que gosta de controlar, quase um ultraje.

Mas, por sobrevivência, chega a hora de fazer novos planos, bagunçar o certo, convidar o incerto, sair à caça de novas emoções, sensações e até algumas confusões. Faz parte do pacote.

Um conselho: organização é uma delícia. Mas de vez em quando, o melhor a fazer é desorganizar a coisa toda, para recomeçar contando com aquele friozinho na barriga de novo!

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Emilia Freire

Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.


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