Talvez a gente deva ficar junto

Não porque precisamos, mas porque sentimos. Não somos a maioria líquida que fica por conveniência. Temos a paciência e a cumplicidade que faltam aos desesperados. Nem mesmo medimos carinhos para saber quem ama mais. Passamos longe no quesito “estou com saudade, mas não posso dizer”. Nada disso funciona para nós. Talvez sejamos inteiros demais, amantes demais.

Não estamos juntos para escancararmos afetos para multidões. Escolhemos, no nosso tempo, onde e como dedicaremos tantas carícias, conversas e afinidades. Somos maduros o suficiente para sabermos que, na maioria das vezes, amar nada mais é do que um encontro de dispostos. Para saber ouvir, falar, receber e doar. Pulamos fora do barco chamado ego. Admiramos silêncios, sorrimos sons. Temos essa habilidade incomum de contemplar momentos ao acaso. Não brincamos com o destino, mas o entrelaçamos em nossas mãos.

Não queremos um relacionamento perfeito. Daqueles que fazem vista para o mundo com muitas fotos, declarações e presentes grandiosos. Para nós, uma relação é pautada na simplicidade. Nos instantes compartilhados em sinceridades, tudo torna-se verdade e inesquecível. É fazer o possível sem uma balança que meça certo e errado. Quando estamos, apenas estamos. Não importa o dia, a hora e o lugar. Nós dois é gosto de quero mais sem querer a toda urgência.

Não brigamos por ausências. Enquanto alguns discutem os simbolismos do amor cabível, dedicamos beijos e transas para o nosso amar visível. Permitimos, durante vários abraços, a vontade de existirmos. Nosso querer é desses capítulos literários nos quais versos riscam pele, coração e alma. Caímos de cabeça. Sem medos. Sem traumas. Com calma. Talvez a gente deva ficar junto, não?

Fotografia por Phil Chester

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