Suas metas e objetivos se perderam no meio do caminho?

Por Adna Rabelo

Revisão Elaine Canisela

Mais um final de ano chegou e é comum que muitos de nós acabemos refletindo sobre o que fizemos e, principalmente, sobre o que perdemos pelo caminho. Muitas vezes, há sentimentos que acompanham essa reflexão: orgulho, vergonha, culpa, superação, frustração, alegria… Com qual deles você mais se identifica ao fazer o “balanço anual” das suas realizações de 2015?

Se você sente que seu balanço foi positivo, parabéns! Muita coisa contribuiu para que isso ocorresse, sejam suas próprias escolhas, seja um pouco de sorte — há quem diga que quanto mais você se desenvolve, mais a sorte parece lhe bater à porta.

E quanto aos que sentem que o balanço foi negativo? Antes de se rotular como um fracassado, faça uma avaliação corajosa de si mesmo. É hora de se perguntar o que contribuiu para que seus sonhos e metas ficassem pelo caminho. Já é um tanto clichê dizer que quem não alcançou aquilo que desejava foi por estar esperando por algo ou por alguém.

Embora eu concorde que isso possa ser verdade em muitos casos, há mais elementos em jogo, e a maneira como você formulou suas metas e seus objetivos pode dar muitas pistas sobre a razão de não os ter alcançado. Sendo mais específica: se você é do tipo que escreve uma lista imensa sem ao menos observar se o que há nela são metas mensuráveis e que tenham congruência com seu sistema de valores, sinto muito, mas as chances de fracasso são mesmo grandes.

Colocar na lista “quero ser um grande profissional” é algo abstrato demais para ser alcançado em um ano. Mas, em contrapartida, se você estabelece um indicador mensurável, por exemplo, “quero ser sondado para uma promoção profissional”, já é algo específico e que oferece uma referência para saber se você está no caminho certo, ou seja, “ser um grande profissional”. Vejo o outro lado dessa mesma questão quando escuto alguém dizer que se sente um fracassado por não ter alcançado sua meta de ser promovido. Quando pergunto sobre o tempo de trabalho, muitas vezes escuto como resposta “tenho pouco mais de um ano de empresa”. Nesse caso, a expectativa de ser promovido em um intervalo tão curto pode ser exatamente um “tiro no pé”, minando assim as chances de crescimento.

Outro ponto importante é quando formulamos algo que vai resolver um aspecto da vida em detrimento de outro, que ficará prejudicado. Muita gente acredita que é necessário sacrificar o tempo em família para obter sucesso no trabalho. Mas, se você observar bem, as pessoas prósperas são aquelas que  obtêm sucesso no trabalho e no amor de modo equilibrado. (Não, o caso de Steve Jobs não é de prosperidade, e sim de apogeu profissional.) A prosperidade na vida vai além do sucesso profissional. Se estar bem com a família lhe é primordial, e você coloca como meta sacrificar o tempo que teria para ficar com ela a fim de obter uma vantagem profissional, certamente essa incongruência pode estar esgotando sua força e energia.

Sempre é tempo de colocar os pés no chão e perceber que muito daquilo que você espera que aconteça depende de você mesmo, — a começar pela formulação correta dos objetivos e metas; pela congruência deles com seus valores; pelo ajuste de expectativas; e pelo desenvolvimento das habilidades necessárias para o alcance dos mesmos.

Frequentemente, escuto de pacientes e coachees que lhes sobram talento e criatividade para alcançar os objetivos e metas, mas lhes faltam foco e disciplina. Tanto esta quanto aquela são habilidades que podem ser desenvolvidas através de meditação, de processo de coaching, de terapia, de uso de aplicativos específicos, e da prática de atividade física, por exemplo.

Então, se você deseja fazer de forma diferente no próximo ano, seja honesto consigo mesmo e vá atrás daquilo que precisa. Procure desenvolver a curiosidade de se conhecer profundamente, observando-se mais; pois, sem dúvida, essa será sua principal bússola nesse oceano de possibilidades em que vivemos.

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Adna Rabelo
Psicóloga clínica, CRP- 05/48233, professora de psicologia e coach. Atualmente também se dedica aos escritos de seu blog Psicóloga Adna Rabelo.



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